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09/04/2020
23 de fevereiro de 2020 às 08h59 | Polícia

Abuso sexual na infância: o combate começa em casa

Durante o carnaval a incidência de crimes sexuais envolvendo crianças e adolescentes aumenta em até 20%, segundo a organização humanitária global de promoção ao desenvolvimento social Aldeias Infantis SOS Brasil.

Por: Portal do Governo de Mato Grosso do Sul
Campanhas diversas como Maio Laranja do Governo do Estado, #DeUmBasta ou #PodeSerAbuso tem um único objetivo: conscientizar a sociedade para a importância de denunciar esse tipo de crime não só nos dias de folia, mas em todos os dias do ano. O Disque 100, serviço de proteção a crianças e adolescentes com foco em violência sexual, recebe em média, 50 denúncias por dia com relatos de crimes sexuais cometidos contra menores em todo Brasil. Cerca de 80% deste total são denuncias de abuso sexual, e outros 14% são de casos de prostituição infantil. O numero parece alto, mas poderia ser bem maior, considerando que muitas vítimas não registram denúncia. Junto com os números surgem questionamentos como: Quais as características de um abusador? Como identificar o abuso sofrido por uma criança? O que fazer diante dessa suspeita? Quem procurar? Como combater esse tipo de crime? Em entrevista ao Portal MS, a delegada titular da Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (DEPCA) Marília de Brito, ajuda a esclarecer essas dúvidas e orienta sobre o tema. FAMÍLIA – O contexto familiar está entre os pontos ressaltados pela titular da DEPCA. “Quando a gente fala de violência contra a criança, estamos falando da base da sociedade que é a família. E o que nós temos que fazer? Fortalecer a família. Buscar a não terceirização da educação do filho. Hoje se terceiriza muito. Pouco se sabe da vida do filho, seja ele criança ou adolescente. E quando há essa ausência dos pais, há essa ausência daquele que tem que cuidar, deixando essa criança mais vulnerável”, descreve, referindo-se a vida moderna, onde compromissos e a correria do dia a dia tomam maior parte do tempo dos pais. EDUCAÇÃO – Junto ao fortalecimento da família, a delegada defende a educação no sentido de orientação conforme a idade da criança. “Não é educar para o sexual. Mas a criança tem que ser educada para saber sobre o que é o próprio corpo, o que ela tem direito, o que o outro pode fazer. Quem que pode toca-la, o que é um toque bom, o que é um toque ruim. Porque muitas crianças, muitas vítimas, não entendem que aquilo se trata de um abuso sexual”, afirma, reforçando que não se deve deixar a criança com qualquer pessoa. SINAIS – O primeiro sinal a ser observado é uma possível mudança no comportamento habitual da criança. “Teve alguma modificação brusca de comportamento? É importante analisar isso, buscar a origem. As vezes a aproximação demasiada de alguém, ou um antagonismo muito severo com relação aquela pessoa. Queda no rendimento escolar, ansiedade, depressão, automutilação, isolamento. Todos esses são elementos de que alguma coisa está errada. O abuso traz esses sinais”, alerta a titular da DEPCA. PERFIL – Não existe um perfil específico de abusadores, pois eles podem estar em qualquer lugar, em toda classe econômica, e em todos os ambientes. “Esses indivíduos geralmente tendem a permanecer em locais que dão a ele, acesso a crianças. Mas também tem aquele abusador de gerações. Que abusa da filha, da neta, da bisneta, da sobrinha, e da geração inteira da família”, contextualiza. QUEM PRATICA? – Estatísticas comprovam que 75,9% dos casos de estupro de vulnerável são praticados dentro do ambiente familiar, por padrastos, vodrastos, avós, pais e tios. “Esse é um ponto delicado. É muito difícil um filho chegar para uma mãe, e falar que o pai, o padrasto, o vô ou vodrasto, está abusando sexualmente. Encarar tudo aquilo com veracidade e fazer o rompimento do vínculo, é uma dor que atinge toda família”. Geralmente a criança sente vergonha e até mesmo culpa, e acaba não relatando o ocorrido. DANOS – Há casos em que mesmo diante do relato, a vítima não é levada a sério por quem deveria protege-la, o que pode causar danos psicológicos para a vida inteira. “Geralmente o agressor é quem deveria proteger aquela criança. Então aquela criança não tem voz, e sair daquele ciclo de violência é muito mais difícil. Então o fato daquele que deveria ter tomado atitude e procurado as autoridades, não ter feito, causa mais dor” pontua a delegada.
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