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23/07/2017
07 de abril de 2017 às 13h27 | Geral

Audiência debate ações para implantação da escola em tempo integral

Propostas foram reunidas em documento que será enviado às autoridades ligadas à educação

Por: ALMS
ALMS/Victor Chileno

Autoridades, educadores e representantes de entidades se reuniram nesta sexta-feira (7/4), na Assembleia Legislativa, para debater os desafios e as ações necessárias à implantação do ensino fundamental em tempo integral em Mato Grosso do Sul. A audiência pública A Escola que Queremos: Ensino Fundamental em Tempo Integral foi proposta pelo deputado Felipe Orro (PSDB), membro da Comissão de Educação, Cultura, Desporto, Ciência e Tecnologia da Casa de Leis e autor da emenda à Constituição Estadual, de 2015, que preconiza a transformação progressiva de todas as escolas de ensino fundamental do Estado em tempo integral.

"Convido as entidades representadas durante a audiência a formarem conosco uma comissão e teremos um documento reunindo todas as propostas, sugestões e argumentos apresentados, que será enviado às autoridades para contribuir com esse importante processo, que é a implantação do ensino fundamental em tempo integral", informou Orro. Segundo ele, pesquisas recentes demonstram que as crianças que permanecem nas escolas no contraturno, com atividades pedagógicas e de lazer, aprendem 120% mais do que os demais estudantes. "Temos que investir em tecnologia, no conhecimento e no saber como um todo, oferecendo a todos os alunos, do filho do carvoeiro ao do mais abastado, esporte, lazer e diversas atividades", disse.

Para o deputado, é preciso fazer da escola um espaço de convivência que contribua para a formação de cidadãos de bem e até mesmo a superação da crise no Brasil passa por investimentos maciços em educação. "A crise tirou o sonho das pessoas e muitos acabam ficando desesperados e cometem coisas erradas; a sociedade entra em colapso, e para mudar isso, construindo uma sociedade mais justa e fraterna, não tenho dúvidas de que devemos melhorar a nossa educação fundamental", complementou Orro.

O senador Pedro Chaves (PSC/MS) lembrou que o ambiente escolar deve reunir condições para que os educadores estejam motivados e ser atrativo aos alunos, promovendo a interação entre teoria e prática. "De manhã, o aluno pode aprender matemática e sobre folhas, na aula de biologia, mas à tarde, pode ir ao Mercadão ou ao Horto Florestal trabalhar aqueles conteúdos na prática", analisou. Como vice-presidente da Comissão de Educação, Cultura e Esporte do Senado Federal, lembrou que o ensino em tempo integral vem sendo amplamente debatido, com o consenso entre educadores de que são necessárias ações multidisciplinares. Chaves foi relator da Medida Provisória 746/2016, que tratou da reforma do Ensino Médio.

Segundo o senador, 521,940 mil crianças, com idades entre quatro e cinco anos, estão fora da educação fundamental no Brasil. Além disso, os indicadores não são nada satisfatórios. "Os alunos do ensino fundamental não cumpriram as metas estabelecidas no Plano Nacional de Educação [PNE] para o ano de 2016, que previa meta 5,5, mas o resultado alcançado foi 5,2", informou o senador. O PNE prevê ainda que 50% das escolas públicas sejam de tempo integral e 25% dos estudantes tenham acesso a pelo menos sete horas de ensino todos os dias.

O presidente da Federação dos Trabalhadores em Educação de Mato Grosso do Sul (Fetems), Roberto Magno Botareli Cesar, lembrou que são necessários investimentos para a adaptação da estrutura física das escolas e para oferecer condições mínimas de trabalho aos educadores. "Sem recursos é muito difícil melhorar a qualidade da educação, e vale lembramos que o professor já leva muito trabalho para casa, já está sobrecarregado, e pelo menos 60% dos que lecionam na rede estadual dão aula em mais de uma unidade escolar", explicou.

Para a educadora Fabiana Aparecida Cáceres, que durante a audiência representou a Secretaria Estadual de Educação (SED), o desafio na implantação da escola em tempo integral passa ainda pela reformulação dos projetos pedagógicos, para contemplar o novo cenário. "Esse desafio não é somente da nossa secretaria e até mesmo por isso é gratificante esse debate, para que possamos apresentar ações em andamento", disse.

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