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22/09/2017
18 de novembro de 2016 às 09h22 | Economia

Brasil perde 4 mil empresas de alto crescimento em 3 anos, diz IBGE

Número de empresas que elevam equipe acima de 20% ao ano caiu 11,4%

Por: G1

O número de empresas que crescem amparadas em grandes contratações tem diminuído no país. É o que aponta o estudo divulgado nesta sexta-feira (18) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE). A situação é observada pelo movimento das chamadas Empresas de Alto Crescimento (EACs) - aquelas que aumentam em pelo menos 20% ao ano o número de empregados, por três anos consecutivos, e que tinham dez ou mais pessoas ocupadas no ano inicial de observação.

De acordo com o IBGE, de 2012 a 2014 diminuiu em aproximadamente 11,4% o número de EACs no país, passando de 35,2 mil para 31,2 mil. Em 2013 a queda foi de 5,11% em relação ao ano anterior, com 33,3 mil empresas na condição de EAC.

O percentual de EACs em relação ao total de empresas ativas no Brasil também diminuiu no período em 0,1 ponto percentual. Em 2012 elas representavam 0,8% do total de empresas ativas, 1,5% das empresas com uma ou mais pessoas ocupadas e 7,6% das empresas com dez ou mais pessoas ocupadas. Em 2013, os mesmos índices caíram, respectivamente, para 0,7%, 1,4% e 7%, chegando em 2014 com 0,7%, 1,3% e 6,4%.

Embora o em termos absolutos o maior número de EACs em 2014 estivesse concentrado no setor de serviços, com 9.931 empresas, o setor de construção foi o que apresentou o maior número (9,6%) de EACs no total de empresas ativas com dez ou mais pessoas ocupadas. Por atividade econômica, as três principais seções com EACs foram comércio, reparação de veículos automotores e motocicletas (26,5%); indústrias de transformação (20,5%) e construção (12,2%).

Segundo a gerente de Serviços e Comércio do IBGE, Isabella Nunes, o indicador de empreendedorismo com base no número de pessoas ocupadas assalariadas foi estabelecido pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) a fim de permitir mensurar os dados em nível internacional.

“Eles [a OCDE] consideram que uma empresa que cresça, em média, 20% em termos de pessoas ocupadas durante três anos, seria uma proxy do empreendedorismo, seria uma empresa dinâmica. A leitura [do empreendedorismo] é muito mais pelo dinamismo”, explicou Isabella Nunes.

A pesquisadora ponderou que este conceito da OCDE é “questionável” pois, segundo ela, empresas de tecnologia, por exemplo, não apresentam crescimento considerável no número de contratações, mas crescem muito em termos de valor adicionado.

Ela ressalvou, porém, que internacionalmente a comparação é em termos de pessoal ocupado, porque é difícil comparar com base no valor adicionado em função de variáveis como inflação, valor de moeda, entre outros.

Assim, considerando a queda no número de EACs no Brasil, Isabella Nunes aponta que o empreendedorismo perdeu fôlego no país. "Como elas [as EACs] são um filtro extremamente sensível na economia, você tem menos empresas que atendem a essa condição dado o menor ritmo de atividade, que perdeu fôlego”, destacou.

Valor adicionado

Em relação ao valor adicionado bruto, em 2014 as EACs geraram R$ 241,4 bilhões, o que representa 12,8% do total de R$ 1,8 trilhão gerado nas empresas ativas com dez ou mais assalariados.

Já o valor adicionado médio (valor adicionado bruto dividido pelo número de empresas) das EACs foi de R$ 8,2 milhões, quase o dobro dos R$ 4,4 milhões verificado entre as empresas com dez ou mais pessoas assalariadas.

Dentre as EACs, o setor de serviços foi o que mais contribuiu com o valor adicionado bruto, representando 42,9% do total. Em seguida vêm a indústria, com 23,7%, o comércio, com 20,1% e a construção, com 13,4%.

Já em relação às empresas ativas com dez ou mais pessoas ocupadas assalariadas, o setor de construção das EACs é o que representa maior participação no valor adicionado bruto (20,4%), seguido pelo setor de serviços (16,6%) e comércio (13,1%).

Geração de empregos

Apesar da queda do número de EACs de 2011 a 2014, elas incrementaram 2,8 milhões de pessoas ocupadas assalariadas no período, o que equivale a um crescimento de 175%, passando de 1,6 milhão de postos de trabalho em 2011 para 4,4 milhões em 2014.

Além disso, embora representassem, em 2014, apenas 1,3% do total de empresas ativas com ao menos uma pessoa ocupada assalariada, as EACs responderam por quase a metade (46,7%) de todos os empregos gerados pelo conjunto total de empresas do país.

Ainda segundo o estudo, em 2014, as 31,2 mil EACs existentes no Brasil pagaram R$ 103,2 bilhões em salários e outras remunerações.

A gerente de Serviços e Comércio do IBGE, Isabella Nunes, destacou que se configurar como Empresa de Alto Crescimento é um grande desafio para as empresas. “Aumentar o número de empregados em pelo menos 20% por três anos consecutivos é uma coisa bastante audaciosa para as empresas, principalmente em um período em que a economia vem arrefecendo”, disse.

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