MSRepórter - Notícias de Campo Grande-MS
28/09/2020
18 de dezembro de 2019 às 08h42 | Educação

Com 49 capacitadas em diferentes áreas, reeducandas da Capital e Corumbá almejam uma oportunidade no mercado de trabalho

Sinônimo de esperança, foi o que representou a conclusão de cursos profissionalizantes realizado por internas do regime fechado de Campo Grande e Corumbá.

Por: Portal do Governo de Mato Grosso do Sul

Com certificados em mãos, reeducandas planejam uma vida diferente longe da criminalidade podendo trilhar uma nova oportunidade no mercado de trabalho nas áreas de recepcionistas, atendentes em farmácia e agentes de limpeza.

Ao todo, 49 mulheres foram capacitadas, sendo 37 no Estabelecimento Penal Feminino “Irmã Irma Zorzi” (EPFIIZ) e 12 no presídio feminino de Corumbá.

Na Capital, as internas receberam o certificado durante a cerimônia de formatura realizada na semana passada.

Os cursos foram ministrados através de uma parceria entre a Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário (Agepen) e a Associação Centro das Igrejas Batistas de Mato Grosso do Sul (ACIBAMS).

Com carga horária de 30 horas/aula cada, os cursos tiveram início em setembro e foram intermediados pela missionária Isabel Cândido, do Ministério Salva Vidas, que há mais de 25 anos atua como voluntária na capelania prisional, levando fé e desejo de mudança a pessoas em situação de prisão.

Conforme o presidente da ACIBAMS, Josiel Caramallac, essa formatura tem uma representatividade muito grande na questão do trabalho social. “Significa a reinserção dessas mulheres no mercado de trabalho, para nós é motivo de muita alegria estar aqui hoje certificando as internas com esses treinamentos, para que posam ter uma oportunidade em liberdade”, disse.

Josiel ressaltou ainda que, para o próximo ano, a meta é ampliar o oferecimento de qualificação profissional a egressos e reeducandos que estão em livramento condicional.

A diretora do EPFIIZ, Mari Jane Boleti Carrilho, agradeceu pela parceria dos voluntários e o apoio da equipe de servidores do presídio feminino. “Acreditamos no potencial de vocês e com isso nos incentiva a aceitar as parcerias que existem. Hoje vocês estão aptas a uma profissão, a entrar no mercado de trabalho em um futuro muito próximo, ter uma vida muito digna com trabalho honesto para cuidar da família de vocês e ter uma perspectiva de vida melhor, e é isso que almejamos para cada uma”, reforçou.

Os três cursos foram certificados pela Escola do Trabalhador de Sergipe. Além dos conteúdos específicos, durante as capacitações também foram abordadas noções de segurança no trabalho e como elaborar currículos para conquistar uma vaga no mercado de trabalho. Presa há quatro anos, a reeducanda Natiela Aparecida, garante que as qualificações vão contribuir para conquistar a profissão de fisioterapeuta tão almejada.

“Estamos aqui dentro, mas não deixamos de sonhar, de desejar um futuro melhor, um recomeço diferente para nossas famílias também. Sempre gostei da área da saúde, então esse curso de atendente de farmácia veio como uma benção, um presente de Deus”, agradeceu a interna que também realizou o curso de Atendimento e Recepção. Pela primeira vez ministrando aulas em uma unidade prisional, o diretor da Escola do Trabalhador, Wellington Santos, garantiu ter sido uma experiência única e uma troca de experiências.

“Entendemos que a qualificação profissional na vida delas é uma perspectiva de um futuro em liberdade melhor, porque o trabalho e a profissão ajudam na regeneração, na ressocialização. Todos merecem uma oportunidade, enquanto existe vida, existe esperança e possibilidade de transformação”, destacou.

Já para a custodiada T.C.L.M., 48 anos, o curso de Atendimento e Recepção vai garantir aperfeiçoamento em sua área de atuação. “Aprendi coisas novas, como técnicas de melhor atender o cliente, com postura e ética profissional, saber separar a familiaridade. Agradeço os professores que são excelentes profissionais, para mim agora vai ser o começo de tudo, tudo diferente a partir de agora”, revelou a interna que acaba de finalizar o Ensino Médio dentro da unidade penal e sonha em cursar Direito ou Serviço Social.

O desenvolvimento das atividades foi coordenado pela Diretoria de Assistência Penitenciária da Agepen, por meio da Divisão de Educação. Para o diretor-presidente da Agepen, Aud de Oliveira Chaves, iniciativas como essas levam dignidade e oportunidade de recomeço durante o cumprimento de pena.

“O oferecimento de qualificação profissional aos custodiados é uma ferramenta essencial que contribui para a não reincidência no crime, incentivando a mudança de comportamento e novos valores”, ressaltou. Também participaram do evento, representando a Divisão de Educação da Agepen, agente Bruno Yonamine de Arantes; além de pastores integrantes da ACIBAMS e agentes penitenciários da unidade penal.

Comente esta Noticia
Notícias Relacionadas