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21/07/2018
03 de julho de 2018 às 12h10 | Geral

Inaugurada em 2014, ponte que caiu em Jardim apresenta falhas na sua execução

Laudo concluiu que ponte não atende quesitos mínimos de segurança e estabilidade

Por: GOV MS
Divulgação/GOV MS

A ponte de concreto sobre o rio dos Velhos construída pelo governo anterior, que desabou parcialmente em abril deste ano, em Jardim, durante forte temporal, foi mal dimensionada e a execução da base de sustentação (cortinas e alas) mostra a precariedade do projeto. A estrutura foi edificada pela mesma empresa que realizou a obra da ponte sobre o rio Santo Antônio, em Guia Lopes da Laguna, que caiu em janeiro de 2016.

Laudo técnico sobre as causas do sinistro, encomendado pela Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos (Agesul), aponta uma série de falhas no projeto de execução e conclui que a ponte não atendia os quesitos mínimos de segurança e estabilidade necessários. “O afundamento da terceira linha de pilares escancara a falta de confiabilidade na execução das fundações e fica evidenciado que o projeto não é adequado para o local”, cita o documento.

Sustentada no barranco

A queda da estrutura isolou importante região de produção de grãos e de agricultura familiar de Jardim, causando prejuízos no escoamento da safra de soja e transporte de estudantes para as escolas rurais. Na época, a Agesul implantou um desvio alternativo, próximo à ponte interditada, na localidade conhecida como Água Amarela. O cascalhamento do trecho (alagado) garantiu o tráfego de caminhões e é a única alternativa de acesso até o momento.

Conforme o parecer elaborado pela Etelo Engenharia de Estruturas, a queda da ponte inaugurada em 2014 é consequência de uma série de erros primários. A base de sustentação do lado direito, por exemplo, com uma viga de concreto apoiada em blocos com estacas, foi construída sobre o barranco, distante da margem do rio. Foi constatado também que os pilares da mesma linha foram construídos sobre um maciço de terra arenosa que adentrava o rio.

“Houve um acentuado recalque nas fundações da terceira linha de pilares, ocasionando um afundamento da estrutura”, aponta o laudo assinado pelo engenheiro Carlos Liberato Portugal. “Face às características da vegetação nas margens, a proximidade dos pilares na calha do rio aumenta significativamente a possibilidade de obstrução do canal pelo acúmulo de vegetação que roda durante as enchentes”, concluiu o parecer.

 

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