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17/11/2017
29 de julho de 2016 às 16h27 | Economia

Obras encaminhadas e previsão de desembaraço aduaneiro dá tom de otimismo em seminário

É uma rota mais curta, tem investimentos previstos e os recursos já existem

Por: NotíciasMS

O governo do Paraguai vai investir cerca de R$ 2 bilhões na infraestrutura rodoviária necessária para dar viabilidade à Rota Bioceânica. Boa parte dos recursos serão aplicado no asfaltamento de cerca de 600 quilômetros que ainda são de estrada de chão no caminho que leva aos portos chilenos. O investimento é um dos indicativos de que o tão sonhado corredor ligando os oceanos Atlântico e Pacífico vai sair do papel.

Um tom de otimismo baseado nos avanços a partir da rota mais recente, que sai de Porto Murtinho e percorre o Paraguai e a Argentina até chegar ao Chile, deu a tônica na conferência e na coletiva de imprensa durante o Seminário ‘Corredor Bioceânico Rodoviário Brasil, Paraguai, Argentina e Chile, rota Porto Murtinho – Portos do norte do Chile’, realizado nesta sexta-feira (29), no Hotel De Ville Prime, em Campo Grande.

Anfitrião e considerado indutor das mais recentes negociações entre os países, o governador Reinaldo Azambuja disse que o diferencial deste momento em relação aos anteriores – a ligação bioceânica é considerada há pelo menos três décadas – é que o projeto agora apresenta viabilidade. “É uma rota mais curta, tem investimentos previstos e os recursos já existem”, afirmou. “Cada país sabe o que precisa fazer e há uma coordenação mútua organizando os gargalos”, completou o governador durante a coletiva.

 

O otimismo também foi manifestado pelas demais lideranças, ministros e vice-ministros dos quatro países que participaram do seminário. “Os prazos (para finalização do projeto) também dependem dos ajustes nas legislações dos países”, relacionou o ministro do Indústria e Comércio do Paraguai, Gustavo Leite.

Um dos grandes gargalos está na operacionalidade do corredor, em especial nas diferentes condutas aduaneiras adotadas pelos quatro países. “Estamos no momento aduanas marco zero” brincou o subsecretário de Aduanas e Relações Internacionais da Receita Federal, Ronaldo Medina. Um dos palestrantes do evento, Medina disse que, com soluções tecnológicas, o trajeto poderá não oferecer paradas, tanto para exportações como na importação de produtos. Em evento sobre a bioceânica realizado no Chile, em maio passado, foi apresentada a proposta do uso de um chip que permite fiscalização sem necessidade de parada ao longo do percurso.

A desburocratização aduaneira foi um dos temas mais abordados durante o evento. “Há necessidade que as aduanas se falem para assegurar agilidade. É preciso harmonizar horários e formas de trabalho”, destacou o ministro de carreira diplomática do Ministério das Relações Exteriores, João Carlos Parkinson de Castro, responsável do Itamaraty por acompanhar o projeto.

Considerado grande entrave para a concretização do projeto, a construção da ponte rodoviária internacional sobre o rio Paraguai, entre Porto Murtinho (MS) e Carmelo Peralta, no país vizinho, foi uma das conquistas celebradas no evento. Em junho, os governos do Brasil e Paraguai formalizaram acordo que prevê conclusão em três nos. A previsão é de que a ponte demande investimentos de aproximadamente R$ 120 milhões, montante que será dividido igualitariamente entre os dois países.

Rota

A rota em questão liga Campo Grande aos portos chilenos de Antofogasta, Mejillones, Iquique e Arica, via Porto Murtinho, passando pelo Paraguai e Argentina. No total são aproximadamente 1,8 mil quilômetros de rodovia que concretizam uma ligação entre os oceanos Atlântico e Pacífico aguardada há décadas, em especial pelo setor produtivo da região Centro-Oeste. O caminho encurta em sete mil quilômetros marítimos, ou cerca de 14 dias de viagem, a distância da América do Sul para os mercados asiáticos.

Também participaram do evento o subsecretário de Planejamento Territorial e do Investimento Público da Argentina, Fernando Alvarez de Celis; o ministro de Obras Públicas do Chile, Alberto Undurraga; o vice-ministro de Relações Exteriores do Chile, Edgardo Riveros e o subsecretário-geral da América Latina e do Caribe, Embaixador Paulo Estivallet de Mesquita.

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