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14/11/2019
21 de julho de 2019 às 12h32 | Geral

Para Reinaldo Azambuja, ponte no Rio Paraguai coloca Porto Murtinho no centro da Rota Bioceânica

Lançamento da licitação do projeto executivo da ponte sobre o Rio Paraguai

Por: GOV MS

Com a presença do governador de Mato Grosso do Sul, Reinaldo Azambuja, o governo do Paraguai autorizou na manhã deste sábado (20) a licitação para elaboração do projeto executivo da ponte de concreto sobre o Rio Paraguai, unindo os municípios fronteiriços de Porto Murtinho a Carmelo Peralta. A travessia, que viabiliza o Corredor Bioceânico (Atlântico-Pacífico), será iniciada em abril de 2020, com conclusão em três anos.

A ponte, que significará a redenção econômica da região Sudoeste do Estado e do Alto Paraguai, na opinião do governador, será construída com recursos (R$ 290 milhões) da Itaipu Paraguai e terá uma extensão de 680 metros. Durante ato de lançamento da licitação, em Carmelo Peralta, pelo presidente paraguaio Mário Abdo Benítez, o Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) entregou o estudo de impacto ambiental da obra.

“Vivemos um momento histórico e quero parabenizar a atitude arrojada dos governos do Brasil e do Paraguai por unir os dois países por uma obra emblemática, que também nos torna competitivos na medida em que encurtamos caminhos em mais de oito mil quilômetros de distância ao mercado asiático”, afirmou Reinaldo Azambuja, ao saudar o presidente paraguaio.

Um grande passo

Ao ressaltar a materialização de uma logística fundamental para o agronegócio e o desenvolvimento da região, o governador disse que Brasil e Paraguai estão dando um grande passo para a tão sonhada integração latino-americana. “No mundo, durante muitos séculos, países construíram muros, barreiras e relações conflitantes. Hoje vivenciamos outra realidade, a construção de uma travessia que integra os povos irmãos e gera oportunidades”, frisou.

Reinaldo Azambuja disse que Porto Murtinho, com a construção da ponte e os investimentos portuários para fomentar o transporte pela Hidrovia do Paraguai, deixará de ser o fim de linha e uma região estagnada pelo seu isolamento. “Esta região será o centro do eixo entre os oceanos Atlântico e Pacífico, atraindo a produção de 100 milhões de toneladas de grãos da região Centro-Oeste e fomentando o turismo, outra fonte de riqueza”, destacou.

Depois de reforçar o convite ao presidente paraguaio para participar da entrega da nova sede da Colônia Paraguai, em construção pelo Governo do Estado em Campo Grande, ainda este ano, o governador disse que estará presente à inauguração da ponte sobre o Rio Paraguai, em abril de 2023. “Não serei mais o governador do meu Estado, mas faço questão de estar aqui como cidadão comum, compartilhando desse momento histórico”, disse.

Fim do isolamento

Para o presidente do Paraguai, Mário Abdo Benítez, a obra financiada pela Itaipu Binacional rompe o isolamento do Alto Paraguai e simboliza a fraternidade entre brasileiros e paraguaios, além de promover forte impacto econômico, social e cultural em toda a região. “(A ponte) será o motor do desenvolvimento sem precedentes, com esse gesto vamos superar a falta de confiança e recuperar a autoestima de uma região pouco valorizada”, acentuou.

Ao final do evento, realizado na margem direita do Rio Paraguai, em Carmelo Peralta, o governador Reinaldo Azambuja e demais autoridades acompanharam o presidente paraguaio na visita ao local onde será implantada a ponte de concreto. O deslocamento foi feito no Barco Tupasy. Na oportunidade, o engenheiro Pánfilo Benítez, da Itaipu Paraguai, detalhou o projeto da obra, que seguida o modelo estaiado da ponte sobre o Rio Paraná, entre o Estado e Minas Gerais.

Benítez informou que o projeto executivo a ser contratado se baseará em um anteprojeto elaborado pelo Dnit, o que dará maior agilidade para o início das obras, previsto para março de 2020. Estudo de batimetria vai definir o melhor local para contruir a ponte, partindo do ponto referencial do órgão do Ministério dos Transportes. A travessia será 380 metros de grãos livres e uma pista de 19,90 metros, com quatro pistas e acessos laterais para circulação de pessoas.

Alfândega integrada

A viabilidade do Corredor Bioceânico significará a redução em 17 dias de viagem das commodities do Estado em direção ao mercado asiático, saindo dos portos de Paranaguá ou de Santos. O secretário estadual Jaime Verruck, da Semagro (Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar), que acompanhou o governador Reinaldo Azambuja no evento em Carmelo Peralta, disse que é um ganho significativo.

“A Ásia é o melhor mercado para Mato Grosso do Sul, que hoje representa 54% da receita do Estado com as exportações de soja, celulose, açúcar, couro e outros produtos”, explicou. O  secretário adiantou que, paralelamente aos avanços na logística, o governo está avançando na discussão das questões alfandegárias para destravar embaraços aduaneiros. Em agosto, deverá ser assinado um acordo sanitário animal e vegetal com o Paraguai.

Verruck também anunciou que a Semagro coordena com os órgãos federais de fiscalização a implantação de uma alfandega integrada com o Paraguai, próximo à ponte, do lado brasileiro, para dar maior agilidade na tramitação legal de cargas e acesso de pessoas. “O equacionamento da infraestrutura é questão de tempo, temos agora que trabalhar a parte alfandegária de forma integrada, que é fundamental para darmos fluidez às cargas”, disse.

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