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18/10/2017
01 de setembro de 2017 às 10h47 | Economia

PIB avança 0,2% no 2º trimestre de 2017, diz IBGE

Consumo das famílias impulsionou serviços e favoreceu o resultado, enquanto indústria recuou 0,5%

Por: G1

A economia brasileira cresceu 0,2% no segundo trimestre de 2017, na comparação com os três primeiros meses do ano, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira (1º). Em valores correntes, o PIB alcançou R$ 1,639 trilhão.

O PIB é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país e serve para medir a evolução da economia. No primeiro trimestre, a economia avançou 1,0%, interrompendo uma sequência de dois anos de PIB negativo.

Frente ao segundo trimestre de 2016, o PIB cresceu 0,3%. Foi a primeira alta após 12 baixas seguidas. A última vez que a taxa ficou positiva nesta base de comparação foi no primeiro trimestre de 2014, quando avançou 3,5%.

“É uma variação positiva. A gente nem chama de crescimento. Apontamos crescimento quando é superior a 0,5%”, ponderou coordenadora de Contas Nacionais do IBGE, Rebeca de La Rocque Pali. “A gente vai ver que estamos num ciclo ascendente da economia. Mas ainda não dá para chamar de recuperação”, acrescentou.

'Estamos num ciclo ascendente da economia. Mas ainda não dá para chamar de recuperação', diz a coordenadora de Contas Nacionais do IBGE, Rebeca de La Rocque Pali.

Rebeca destacou que, observando a taxa acumulada nos últimos quatro trimestres, é possível perceber que a retração da economia atingiu seu ponto mais baixo da série histórica no 2º trimestre do ano passado. "Desde então ela está crescendo", disse.

Na comparação com o 2º trimestre de 2016, o grande destaque positivo ainda é a agropecuária, que apresentou alta de 14,9%, destacou Rebeca.

No primeiro semestre de 2017, o PIB apresentou variação nula (0,0%) em relação ao primeiro semestre de 2016, após uma queda de 2,7% em igual semestre de 2016. As atividades que mais puxaram a alta no ano foram a agropecuária (15%) e a indústria extrativa mineral (7,8%). “Desconsiderando todas as demais atividades, o PIB teria crescido 0,9% no semestre”, apontou Rebeca.

Já no acumulado de quatro trimestres, a economia encolheu 1,4% em relação aos quatro trimestres imediatamente anteriores.

Pelo lado da oferta, a indústria recuou 0,5% frente ao primeiro trimestre, após ter subido 0,7% no trimestre anterior. O destaque negativo foi a construção civil, que recuou 2,0%. Na comparação com igual trimestre de 2016, foi o 14º resultado de queda. O último crescimento do setor ocorreu no primeiro trimestre de 2014, de 7,8%.

O destaque negativo da indústria foi a construção civil, que recuou 2,0% e teve efeito sobre os gastos do governo, que também caíram.

Segundo Rebeca, a construção tem impacto direto do consumo do governo, que também caiu. "Sabemos que o corte de investimentos em infraestrutura, por conta do ajuste fiscal, está disseminado entre as três esferas do governo, principalmente federal e estaduais. Investimento é o mais fácil de cortar", disse.

Na indústria, também recuou a na atividade de eletricidade e gás, água, esgoto e limpeza urbana (1,3%). Já a indústria extrativa mineral subiu 0,4%, enquanto a de transformação avançou 0,1%.

Serviços

O setor de serviços, que representa cerca de 70% do PIB, cresceu 0,6% e deu a maior contribuição para o resultado, destaca a coordenadora do IBGE. Destacou-se a alta do comércio (1,9%), que segundo Rebeca "foi beneficiado pelo aumento do consumo das famílias”.

Também se destacaram as atividades imobiliárias e outros serviços (0,8%) e atividade de transporte, armazenagem e correio (0,6%). Os serviços de informação caíram 2,0% e as atividades de administração, saúde e educação pública (-0,3%) e de intermediação financeira e seguros (-0,2%) tiveram variações negativas.

Contudo, na comparação com o mesmo trimestre de 2016, serviços teve retração de 0,3%, na 10ª queda seguida no PIB.

Agropecuária estável

A agropecuária não variou (0,0%) no segundo trimestre, após uma trajetória de três trimestres seguidos de alta, chegando a crescer 11,5% no primeiro trimestre e impulsionando o PIB do período.

Rebeca destacou que nos três primeiros meses do ano, a safra foi destinada mais ao estoque que às exportações. Já no segundo trimestre, teve aumento da exportação. “Até porque não tem mais lugar para estocar”.

Ela destacou, ainda, que a contribuição da agricultura na formação do PIB nos próximos dois trimestres do ano será menor. “Cerca de 70% da safra prevista para o ano já foi colhida no primeiro semestre. Então, restam apenas 30% para o segundo semestre”.

Consumo das famílias

Pela ótica da despesa, o destaque foi a expansão de 1,4% do consumo das famílias, que voltou a crescer após oito trimestres de retração e um de variação nula. Foi o primeiro avanço desde o primeiro trimestre de 2014, quando variou 1,6%. O IBGE revisou este dado, que havia sido negativo em 0,1% na divulgação anterior.

Embora a maior parte das famílias tenha usado o dinheiro do FGTS para pagar dívidas ou poupar, parte dele foi usado no consumo, diz a coordenadora do IBGE.

Rebeca apontou que o consumo foi beneficiado por "uma junção de fatores positivos" que compensaram os números do mercado de trabalho. Ela citou o crescimento de 2,3% da massa salarial real, a queda da Selic, a inflação mais baixa e o crescimento nominal de 1,8% do saldo de operações de crédito do Sistema Financeiro Nacional.

“Além disso, teve a liberação das contas inativas do FGTS. Embora a maior parte das famílias tenha usado esse dinheiro para pagar dívidas ou poupar, parte dele foi usado no consumo”.

O consumo das famílias, segundo a coordenadora do IBGE, não chegou a ajudar o setor de construção porque o consumo do setor imobiliário tem efeitos mais no médio e longo prazo.

Já os gastos do governo recuaram 0,9%. Esta foi a maior queda desde o terceiro trimestre do ano passado e a quarta retração trimestral seguida.

A formação bruta de capital fixo (investimentos em bens de capital) recuou 0,7%, a quarta taxa negativa seguida no PIB. A última variação positiva do indicador foi no segundo trimestre de 2016, quando cresceu 0,4%.

No setor externo, as exportações de bens e serviços registraram variação positiva de 0,5%, a segunda taxa positiva seguida, mas menor que o crescimento de 5,2% no trimestre anterior.

A taxa de investimento no país foi de 15,5%, a menor para o segundo trimestre da série histórica iniciada em 1996. Já a taxa da poupança, de 15,8%, é a maior desde o 2º trimestre de 2016.

Enquanto isso, as importações de bens e serviços caíram 3,5% em relação ao primeiro trimestre de 2017. Rebeca enfatizou que, na comparação com o 2º trimestre do ano passado, a queda foi de mais de 30%.

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