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23/09/2017
25 de julho de 2017 às 09h06 | Geral

Redução do desperdício será prioridade na Escola Senai da Construção

O desperdício se mostra como um desafio para quem representa o segmento

Por: Fiems
Divulgação

Desperdício é uma palavra que causa calafrios em qualquer representante da Construção Civil. De 8% a impressionantes 30%, a parcela de materiais que se perde desde o transporte até a acomodação, chegando ao fatídico retrabalho, varia muito em função de inúmeros fatores. Fato é que o fantasma do desperdício existe, persiste e se mostra como um desafio para quem representa o segmento.

Por isso, desperdício é o tema da 5ª matéria da série de reportagens especiais que antecedem a inauguração da Escola Senai da Construção, localizada na Avenida Rachid Neder esquina com a Rua Caxias do Sul, no Bairro Coronel Antonino, e que será entregue nesta quinta-feira (27/07), em Campo Grande (MS).

 “Vamos usar um exemplo clássico. Você vai fazer uma obra em casa e compra certa quantidade de areia. Por desconhecimento ou falta de opção, acomoda o material na calçada. No dia seguinte, cai uma chuva torrencial que carrega boa parte daquela areia para a sarjeta e, consequentemente, para os córregos da cidade, que acabam assoreados. Perceba como o simples desperdício de areia acarreta em problemas muito maiores. O desperdício é isso, um ciclo com inúmeros prejuízos”, ilustra o arquiteto e urbanista, pós-graduado em Saneamento Ambiental e vice-presidente do CAU/MS (Conselho de Arquitetura e Urbanismo de Mato Grosso do Sul), Eymard Ferreira.

Segundo o profissional, pensar a obra de maneira sustentável evita perdas diretas e indiretas. “As perdas diretas são as financeiras, já que o desperdício impacta inicialmente no bolso de quem constrói. E as indiretas passam pelo descarte indiscriminado de materiais que, invariavelmente, nos leva a um aspecto ainda mais grave: o acúmulo desses materiais em locais inapropriados. Então temos o desperdício de recursos, muitas vezes não-renováveis, e o descarte improvisado impactando diretamente no meio ambiente”, destacou.

Eymard Ferreira, que também é professor universitário, acredita que a solução para o problema se encontra na academia. “Temos o aspecto acadêmico propriamente dito, que se baseia no desenvolvimento de pesquisas, técnicas e materiais que nos levem a uma gestão mais sustentável e eficiente dos recursos. E temos o aspecto técnico, que consiste na profissionalização do indivíduo que vai empregar as técnicas e materiais desenvolvidos”, pontuou.

Para o diretor-regional do Senai, Jesner Escandolhero, o mercado já oferece uma gama considerável de processos, produtos, acessórios e ferramentas adequados para evitar o desperdício no processo de construção. O gargalo, via de regra, é a formação de profissionais capazes de explorar e utilizar adequadamente o que está disponível.

“É claro que existe um campo enorme para o desenvolvimento de novas técnicas, processos e produtos, e a Escola Senai da Construção vai atuar nesse sentido. Mas uma de nossas prioridades, e que já está prevista nos nossos itinerários de formação, é desenvolver o profissional, torna-lo apto a utilizar aquilo que está disponível com foco na redução do desperdício, tanto de material quanto de tempo, tornando as obras mais viáveis e baratas, justamente porque você proporciona uma otimização de recurso, tanto humano quanto material”, detalhou Jesner Escandolhero.

Roger Benites, gerente da Escola Senai da Construção, complementa que a sustentabilidade vai estar presente em todo o conteúdo formativo da Escola. “Em todos os cursos será tratada a questão do uso consciente, de evitar o desperdício dentro da obra, tanto na parte da qualificação profissional quanto na parte de atendimento empresarial. Nós estamos buscando a formação de consultores dentro da área de tecnologia e inovação, que é uma tendência forte no mercado, visto que o País está muito preocupado com isso”, afirmou.

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