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22/11/2017
24 de outubro de 2017 às 11h17 | Geral

Seminário em Campo Grande discute as potencialidades da Rota de Integração Latino-Americana

Evento, que conta com Universidades da Argentina, Chile e Paraguai, segue até quarta-feira (25), em Campo Grande

Por: G1
Reprodução/G1

A Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS) iniciou nesta segunda-feira (23), o I Seminário da Rede Universitária da Rota de Integração Latino-Americana (RILA), com objetivo de discutir os “Desafios Sociais, Turísticos, Econômicos e as Potencialidades Acadêmicas” relativos à implantação da Rota Bioceânica Rodoviária que ligará o Brasil aos portos do Chile.

O evento contou com a presença de autoridades brasileiras e dos países envolvidos, como a comitiva de pesquisadores da Universidade Nacional de Jujuy e da Universidade Nacional de Salta, ambas da Argentina, além da Universidade de Antofagasta e da Universidade Católica do Norte, ambas do Chile. Pesquisadores da Universidade Nacional de Assunção, do Paraguai, também participaram do evento.

“A presença da delegação de Universidades do Chile, Argentina e Paraguai é muito importante para essa Rede Universitária Bioceânica, que vem se consolidando desde a sua criação. Seria muito difícil abrir os caminhos, construir projetos sem a colaboração da pesquisa acadêmica. É importante salientar que criação da Rota foi iniciativa da sociedade civil”, comentou o Ministro da carreira diplomática do Ministério das Relações Exteriores, João Carlos Parkinson de Castro.

Para o embaixador do Chile no Brasil, Jaime Gazmuri Mujica, a integração entre os governos na construção de pontes e na pavimentação das rodovias que compõem a RILA são a concretização de um sonho. “O corredor abre uma importante janela para o coração da América do Sul. Teremos frutos dessa integração em um curto prazo de tempo”, disse Mujica.

Ponte em Porto Murtinho

O principal gargalo para a viabilização da rota em território brasileiro, a construção de uma ponte binacional sobre o rio Paraguai, ligando Porto Murtinho, no Brasil, a Carmelo Peralta, no Paraguai, é um dos projetos que foi elencado como prioritários pela bancada federal de Mato Grosso do Sul para 2018, tanto, que uma emenda conjunta, no valor de R$ 81.247.495,00 foi apresentada pelos parlamentares para o Orçamento Geral da União para o próximo ano. A travessia atualmente é feita somente de balsa.

A informação foi divulgada no evento e comemorada pelos participantes, principalmente pelo prefeito de Porto Murtinho, Derlei Delevatti. “A ponte tem uma previsão de três anos de construção, mas teremos mais de cem anos de evolução para nossa cidade. Estamos na expectativa de estudar, de aprender para conseguirmos alcançar os melhores resultados possíveis com a RILA”, comentou Derlei.

Para o reitor da UEMS, Fábio Edir dos Santos Costa, o seminário traz a oportunidade de estudar as melhores soluções para a aplicação na RILA. “A UEMS e as demais Universidades que compõem o CRIE (Conselho de Reitores das Instituições de Ensino Superior de MS) estão prestando consultoria junto ao Dnit (Departamento Nacional de Trânsito) para a elaboração do projeto de construção da ponte que liga o Brasil ao Paraguai”, disse o reitor.

Fábio Edir ainda destacou que, além dos benefícios econômicos, sociais e acadêmicos, a RILA favorece a integração dos povos. “Ao aceitarmos esse desafio de coordenar a Rede de Universidades da RILA, juntamente com a ajuda do CRIE, nós favorecemos essa integração. Estamos todos juntos no Brasil, e nos juntamos às Universidades dos demais países. Estamos todos juntos, no meio acadêmico, dispostos a colaborar com a consolidação da RILA. Acredito que discussões que sairão daqui desse evento serão de grande importância para o desenvolvimento regional, não só do Brasil e de Mato Grosso do Sul, mas de todos os países envolvidos na RILA”, afirmou o reitor da UEMS.

Entre agosto e setembro deste ano, uma expedição formada por empresários e autoridades percorreu todo o trajeto da RILA, saindo do Brasil e passando por Paraguai, Argentina e Chile para analisar viabilidade do corredor rodoviário terrestre. O grupo saiu de Campo Grande e depois de chegar a Antofagasta, no Chile, se deslocou até Assunção, no Paraguai, onde acompanhou o governo paraguaio reafirmar seus compromissos com a viabilização do projeto.

Entre esses compromissos, estão a licitação já aberta para a pavimentação do primeiro trecho da rota que vai passar pela região do Chaco, o chamado Pantanal Paraguaio, em uma extensão de 270 quilômetros, entre Carmelo Peralta, fronteira com o Brasil, e Loma Plata. Conforme o ministro, vai demandar um investimento de aproximadamente US$ 400 milhões, o equivalente na cotação desta sexta (R$ 3,13), a R$ 1,3 bilhão. A expectativa é que esse processo seja concluído ainda este ano e as obras iniciadas no próximo ano, com previsão de duração de dois anos e meio a três anos.

O governo paraguaio destacou ainda no evento que técnicos estão elaborando o edital de licitação do segundo trecho, entre Marechal Estigarribia e a fronteira com a Argentina, em Pozo Hondo. Técnicos do ministério de Obras Públicas e Comunicações do país estimam que somente na pavimentação total do Chaco a previsão do governo paraguaio é investir em torno de US$ 700 milhões, o equivalente a R$ 2,191 bilhões. Se somada a contrapartida de 50% para a construção da ponte binacional, outro gargalo para a viabilização do corredor de integração, o custo para o país subiria, ainda de acordo com os técnicos, para US$ 1 bilhão, ou R$ 3,130 bilhões.

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