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21/03/2019
19 de dezembro de 2018 às 11h03 | Educação

Superação marca formatura de alunos da EJA de comunidade terapêutica

A colação reuniu em torno de 400 pessoas na Câmara, entre alunos e familiares

Por: PMCG

A noite da última terça-feira foi marcada pela emoção para 15 alunos do primeiro projeto de Ensino para Jovens e Adultos – EJA, oferecido pela Rede Municipal de Ensino (Reme) em uma comunidade terapêutica. Ao lado de outros 120 alunos da EJA da escola Consulesa Margarida Macksoud Trad, eles colaram grau na Câmara Municipal e falaram sobre a alegria de concluir o Ensino Fundamental e do sonho de cursar uma universidade.

A colação reuniu em torno de 400 pessoas na Câmara, entre alunos e familiares. Os formandos concluíram os anos finais do Ensino Fundamental e são atendidos pela comunidade terapêutica Esquadrão da Vida, onde passam por um processo de desintoxicação.

Eles fazem parte da primeira turma da EJA no local, que é uma extensão da escola Consulesa.

A parceria com a Comunidade atende os anos iniciais, intermediário e finais do Ensino Fundamental. Ao todo, 11 professores, além de técnicos, atuaram neste primeiro ano da EJA, implantado no Esquadrão da Vida.

A intenção do projeto é auxiliar no processo de reinserção social e o professor de sala faz um acompanhamento personalizado para detectar as dificuldades específicas de cada aluno. As vivências dos acolhidos são levadas em conta na metodologia aplicada.

O formando Mario Marcio Rodrigues comentou sobre sua realização e o sonho de ainda fazer uma faculdade. O aluno estava há oito anos sem estudar.

 “É com muita alegria que eu venho me formar hoje, porque depois de tanto tempo eu já tinha perdido a esperança e hoje eu volto a sonhar de novo e quem sabe um dia fazer uma faculdade. Penso em fazer gastronomia”, destacou.

O incentivo para Mário voltar aos estudos, foi motivado pela própria comunidade e por sua família. “Toda mãe quer que um dia seu filho se forme e termine seus estudos. Eu acho que está sendo um sonho realizado para ela”, disse.

Esposa de Mario, Deriagni Melgarejo fala sobre a satisfação em ver o companheiro formado. “Eu acho uma maravilha, dou total apoio para ele. Ele gosta de gastronomia e é muito inteligente para isso”, afirmou.

A estudante Solange dos Santos Ferreira, que estava há 15 anos sem estudar conta o que a formação representa para sua vida. Ela sonha em ter uma formação na área da Saúde. “Isso trás uma melhora de vida para mim. Eu quero crescer na vida. Quero fazer Enfermagem. Minha família veio e me apoia. Esse dia representa muita alegria para nós”, pontuou.

Inclusão

O Coordenador Geral de Tratamento da Comunidade Esquadrão da Vida, Carlos Tiago Nogueira Nantes, fala sobre a importância da formação dos alunos. Ele enfatizou o ineditismo da prefeitura de Campo Grande, em levar o curso para uma comunidade terapêutica e ainda promover a inclusão social, realizando a solenidade junto aos demais alunos da escola Consulesa Margarida Macksoud Trad.

“Hoje é um dia especial, é um marco na história das comunidades terapêuticas. Isso nunca houve, nem aqui nem no Brasil. Esse projeto está estimulando o pessoal a procurar o curso. Foi legal realizar a formação juntamente com outra escola municipal, isso é inclusão e isso faz eles se sentirem parte da escola”, disse.

De acordo com o coordenador, a procura pelo curso, por meio dos assistidos no local, aumentou mais de 30%. Para o responsável da comunidade, os estudos influenciaram no tratamento e gerou mais responsabilidade, empenho e permanência dentro da instituição.

A chefe da Divisão de e Educação e Diversidade – DED, responsável pela orientação dos estudos dessa parceria dentro da Secretaria de Educação, Magali Luzio, fala sobre o sucesso da ação junto com a Comunidade e da inclusão social que o projeto proporciona.

“A tendência é atender outras unidades terapêuticas. Agora é avançar nesse projeto, nessa ideia. Iremos desenvolver mais os temas e deixar as aulas mais prazerosas. Temos que fazer a inclusão. Eles fazem parte da sociedade. Não é porque eles estão em tratamento em uma unidade terapêutica, que eles não fazem parte da sociedade. É uma noite de conquista, de festa e de vitória”, ressaltou.

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