Mas, afinal de contas, o que são essas doenças que estão muito mais inseridas no nosso cotidiano do que imaginamos?
De acordo com a gerente técnica de zoonoses da coordenadoria de vigilância epidemiológica da Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) e veterinária Ana Paula Nogueira, zoonoses são enfermidades que circulam entre animais e seres humanos, podendo, em muitos casos, contaminar gravemente ambas as espécies e resultar até mesmo em óbito. Segundo a Organização Mundial de Saúde, existem mais de 200 doenças que se enquadram nessa categoria.
Apesar de graves, essas infecções transmitidas por animais domésticos, de produção – como galinhas, suínos, bovinos e equídeos – e insetos podem ser de fácil prevenção e, em sua maioria, a manutenção adequada de quintais e terrenos já é suficiente para garantir a segurança e o distanciamento dos causadores desses males.
Campo Grande está localizada em uma região endêmica de algumas delas, e a mais conhecida é a leishmaniose visceral, que acomete tanto seres humanos quanto cães, que também podem adoecer gravemente. Somente neste ano foram registrados 33 casos da doença em humanos na cidade, e estima-se que 20% da população canina também esteja infectada com o protozoário.
Transmitida pelo mosquito flebotomíneo, o cachorro é o reservatório urbano. “Uma das principais medidas de prevenção da leishmaniose, além de manter o ambiente livre de matéria orgânica e materiais inservíveis, é não criar animais de produção na área urbana e o uso da coleira repelente nos cães”, explica a gerente técnica.
Ela ainda lembra que outra zoonose muito comum e grave é a raiva, que é fatal e é transmitida principalmente pela arranhadura ou mordedura do animal infectado. Neste ano, foram identificados cinco morcegos com o vírus no município.
A vacinação anual de cães e gatos é a principal ferramenta contra a raiva. “Se houver algum acidente como este, ou contato com morcegos, a orientação é lavar a área abundantemente com água e sabão e buscar uma unidade 24h”, conclui. No caso dos morcegos, também é necessário acionar o CCZ para fazer o recolhimento do animal.

Outras zoonoses
Muito comentada no momento, em decorrência do surto no interior do estado de São Paulo, a febre maculosa também é uma zoonose. Ela é transmitida pela picada de carrapatos e tem capivaras e equídeos como principais reservatórios, sendo mais comuns em áreas rurais ou em ambientes selvagens.
Em Campo Grande, o último caso da doença foi registrado em 2018. Conforme a orientação da veterinária, são necessários alguns cuidados ao frequentar áreas rurais e, se encontrar carrapatos no corpo, ele deve ser retirado e não o esmagar com as unhas, evitando assim a liberação das bactérias causadoras da febre maculosa.
Transmitida através da urina de ratos e outros animais domésticos contaminados, a leptospirose é comum em situações de enchentes. Nos últimos três anos foram registrados quatro casos da doença na Capital. Para se proteger, o controle de roedores e evitar áreas de lama, enchente e enxurrada são estratégias eficientes.
Mesmo nunca diagnosticada em Campo Grande, a esporotricose é causada por fungos que são comumente encontrados na terra e em materiais em decomposição, assim, a manutenção dos terrenos e quintais é a melhor forma de evitar a doença.
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