A 5ª Turma do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3) acompanhou o relator, desembargador Paulo Fontes, e cassou uma liminar que impedia a continuidade da demarcação da Terra IndÃgena Potrero Guaçu, em Paranhos, 460 km ao sul de Campo Grande (MS). A Justiça seguiu os argumentos do Ministério Público Federal (MPF) ao considerar que “não deveria ser amparada pelo Judiciário, de modo cautelar, a suspensão de atos administrativos por perÃodo tão longo”. A decisão que paralisou o procedimento, da Justiça Federal de Ponta Porã, é de 30 de janeiro de 2001.
O governo federal já declarou, através da portaria nº 298/2000 do Ministério da Justiça, que 4025 hectares são de ocupação tradicional do grupo indÃgena guarani-ñandeva. A partir de agora a Funai pode colocar os marcos fÃsicos para delimitar a terra e enviar o procedimento para homologação pela presidente da República.
Atualmente, também por força de decisão judicial, a comunidade ocupa 264 dos 4.025 hectares declarados indÃgenas (6,5% do total). Mesmo assim, ela já foi alvo de ataque de pistoleiros, em abril de 2002, que resultou na destruição, por incêndio, de 23 das 25 casas existentes, disparos de armas de fogo, ameaças de morte e lesões corporais. O objetivo era expulsar os Ãndios da área onde estavam assentados por força de decisão judicial.
Laudo antropológico produzido pela Funai concluiu que os Ãndios, então estabelecidos na área de Potrero-Guaçu, foram expulsos a partir de 1938, para dar lugar a projeto de assentamento capitaneado pelo então estado de Mato Grosso. As terras eram doadas aos colonos e os Ãndios, expulsos, eram empregados como mão-de-obra na lavoura. Na década de 1970, eles foram remanejados para a Reserva PirajuÃ, também em Paranhos.
Violência contra indÃgenas em MS: a maior do paÃs
Mato Grosso do Sul tem a segunda maior população indÃgena do paÃs, cerca de 70 mil pessoas divididas em várias etnias. Apesar disso, somente 0,2% da área do estado é ocupada por terras indÃgenas. As áreas ocupadas pelas lavouras de soja (1.100.000 ha) e cana (425.000 ha) são, respectivamente, dez e trinta vezes maiores que a soma das terras ocupadas por Ãndios em Mato Grosso do Sul. A lentidão das demarcações, seja por omissão do Poder Executivo Federal, seja por força de decisões judiciais, é inversamente proporcional ao crescimento da violência contra os indÃgenas no estado.
Campeã de violência: MS tem 8 municÃpios entre os 13 com maiores taxas de suicÃdio entre indÃgenas
A taxa de assassinatos - cem por cem mil habitantes - é mais de 3 vezes maior que a média nacional, que é de 29 homicÃdios por cem mil habitantes. Em Mato Grosso do Sul, pelo Censo de 2010, os indÃgenas são 2,9% da população, mas contribuem com 19,9% dos suicÃdios: quase sete vezes mais.
Em Dourados, há uma reserva com cerca de 3600 hectares, constituÃda na década de 1920. Existem ali duas aldeias - Jaguapiru e Bororó - com cerca de 12 mil pessoas. A densidade demográfica é de 0.3 hectares/pessoa.
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Foto: MPF-MS