Menu
Busca quinta, 20 de agosto de 2026
Economia

Pela 1ª vez, risco do Brasil é menor que o dos EUA, diz Mantega

15 junho 2011 - 10h13 Por Markito

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou nesta quarta-feira (15) que o risco brasileiro está, pela primeira vez na história, abaixo do risco dos Estados Unidos.“Estamos muito felizes com isso, porque mostra a solidez da economia brasileira e a confiança que nós temos do mercado sobre a economia brasileira”, comemorou.

Como referência para análise, o ministro usou o instrumento conhecido como Credit Default Swap (CDS) – um “seguro” do risco para a exposição a títulos da dívida dos países.

“Há um volume de mais de US$ 70 trilhões nessa modalidade, sendo que quando hoje você faz um seguro sobre a dívida brasileira, você paga 41.2 pontos base”. “Para fazer o americano, é 49.7 – portanto, pela primeira vez na história, o risco Brasil é menor do que o risco dos EUA”, disse ele.

Mantega ainda disse que a diferença de risco entre os dois países reflete  a política fiscal correta do Brasil. “A presidente ficou muito satisfeita com essa questão. Isso mostra que estamos praticando uma política econômica correta que vem consolidando o Brasil e impondo respeito ao resto do mundo”.

Entenda o CDS

Flávio Samara, da LCA Consultores, discorda da análise de Mantega. Para ele, o ativo não é o ideal para medir risco de pagamento da dívida dos governos, porque reflete mais especulação do que fundamentos econômicos.

O CDS é um "seguro" do pagamento  das dívidas do governo negociado no mercado financeiro; sua oscilação de preço reflete, além dos indicadores econômicos, a aposta de especuladores, diz Samara.

"Primeiramente o CDS é um ativo negociado do mercado, reflete os fundamentos em relação ao risco de uma economia e reflete especulação, é exagerado dizer que o risco nos EUA seja maior que no Brasil", afirmou o economista.

Além disso, Samara destaca que o aumento do preço pago nos CDS dos EUA reflete a conjuntura atual, em que os países ricos saíram da crise financeira com as contas desquilibradas.

"O que aconteceu hoje é muito mais por fatores de fundamento por culpa dos países ricos mais porque por mérito do Brasil e também reflete especulações com a dívida americana", disse.

O economista da consultoria Tendências, Raphael Martello, explica o uso do CDS no mercado. "O CDS é um seguro, como a gentefaz seguro de qualquer coisa. De quem tem uma dívida, dívidas dos governos. A gente compra um CDS de um ano, que se o governo não me paga, o seguro me paga".

Dívida dos EUA

Na avaliação dos dois economistas, dá força às especulações do CDS o clima de insegurança no curto prazo causado pelas tensas discussões nos EUA sobre elevar o limite de endividamento do país antes que os recursos acabem.

"Apesar de a gente achar que o Congresso vai ampliar o limite da dívida, deixar a decisão em cima da hora faz com que todos os ativos que dependem disso vão ficando mais caros", afirma Martello.

No caso dos EUA, o desequilíbrio nas contas vem se agravando desde 2001, com os esforços de guerra do país após os atentados de 11 de setembro, e piorou com a crise econômica em 2008, a partir de quando o governo teve que gastar mais para estimular a economia. "O governo teve que gastar mais e arrecadar menos. A gente espera que com a retomada do emprego e da economia, o governo vá retirando os estímulos fiscais, as empresas paguem mais impostos e as contas se equilibrem um pouco", vê o economista da Tendências.

Na terça, o presidente do Banco Central americano (FED, na sigla em inglês), Ben Bernanke, advertiu  que se o teto da dívida americana de US$ 14,3 trilhões não for elevado corre-se o risco de uma perda de confiança da solvência do país que poderia ser desastrosa.

Para analistas, no entanto, o consenso do mercado é de que a disputa é política e que haverá acordo entre governo e Congresso para que o limite da dívida seja elevado.

 

Karla Lyara/Fonte:G1

Leia Também

Detran de Mato Grosso do Sul passa a oferecer opção de CNH exclusivamente digital
Detran de Mato Grosso do Sul passa a oferecer opção de CNH exclusivamente digital
Equipamentos e 522 viaturas:
Equipamentos e 522 viaturas:
Projeto de IA do Detran-MS
Projeto de IA do Detran-MS
Detran-MS alerta sobre golpe:
Detran-MS alerta sobre golpe: