O dólar no mercado à vista sustentou-se em campo positivo o tempo todo pela segunda sessão consecutiva, hoje, embora o fluxo cambial tenha sido positivo. A formação da taxa de câmbio acompanhou a valorização externa da moeda norte-americana em relação ao euro, que desceu ao patamar de US$ 1,27 pela primeira vez desde setembro de 2010, abalado por renovadas preocupações com as crises de dívida soberana e de liquidez no sistema bancário na Europa.
Os dados do mercado de trabalho nos Estados Unidos melhores do que o esperado e que, segundo a Casa Branca, evidenciam a recuperação da economia, também ajudaram no fortalecimento da divisa norte-americana.
Contudo, a safra atual de lançamentos e emissões externas por bancos e empresas brasileiras, na esteira da captação do Tesouro de US$ 825 milhões com o menor yield pago em captação em dólar pelo País (3,449% ao ano), limitou novamente o ganho intradia do dólar. Do mesmo modo, alguns ingressos efetivos de recursos no mercado local ajudaram também a pressionar levemente o cupom cambial para baixo e a elevar o volume de negócios.
No fechamento à vista, o dólar estava em alta pelo segundo dia seguido, de 0,87%, para R$ 1,8540 no balcão, e de +0,79%, a R$ 1,8526 na BM&F. Na primeira semana de 2012, no entanto, a divisa dos EUA acumula baixa de 0,80% e 0,64%, respectivamente, que coincidem com a evolução anual. O giro total registrado na clearing de câmbio até 16h43 somava US$ 2,727 bilhões (US$ 1,990 bilhão em D+2).
A disparada do yield dos bônus de 10 anos do governo italiano para 7,11% hoje, mesmo com o Banco Central Europeu (BCE) supostamente comprando bônus de Espanha e Itália nos mercados secundários, reacendeu a insegurança nos mercados, porque na próxima semana haverá leilões de bônus justamente dos governos de Espanha e Itália. Além disso, há certo desalento entre investidores sobre a nova reunião na segunda-feira entre a chanceler alemã, Angela Merkel, e o presidente francês, Nicolas Sarkozi.
Esse quadro conteve de certa maneira a reação positiva aos dados do mercado de trabalho norte-americano. Em dezembro, a economia dos EUA gerou 200 mil empregos e a taxa de desemprego no país caiu para 8,5% no final de 2011, desempenho melhor do que a previsão dos analistas, de recuo para 8,7% e o menor nível desde fevereiro de 2009.
Ana Maria Assis/Fonte: Agência Estado
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