Apesar de indicador divulgado ontem pelo Banco Central reforçar a percepção de recuperação da economia, o governo considera que ela pode não ser suficiente para evitar o risco de o país crescer menos de 2% neste ano. Até então, a equipe econômica vinha dizendo que a economia iria crescer ao menos 2,5% em 2012.
O crescimento de apenas 0,2% no primeiro trimestre e a previsão de um resultado do segundo trimestre ainda "muito ruim", entre 0,3% e 0,4%, abateu a avaliação de assessores presidenciais. O PIB do semestre, que será divulgado no final de agosto, deve mostrar, segundo técnicos, que o país precisaria estar acelerando forte neste início de segundo semestre para viabilizar um crescimento de pelo menos 2% em 2012.
Nessa sexta-feira, foi divulgado o resultado de junho do IBC-Br, indicador que costuma ser uma prévia do crescimento do PIB: o país cresceu 0,75% em relação a maio, o que sinaliza uma recuperação significativa da economia. Mas ela teria de registrar crescimento acima de 1,5% nos dois últimos trimestres para garantir 2% neste ano.
Algo difícil, na visão de assessores, que já falam de taxa entre 1,5% e 1,8% no fim de 2012, a mesma projetada há várias semanas por economistas e tida como irreal pela Fazenda. A avaliação dos analistas é que a recuperação será puxada principalmente pela aceleração do consumo, por causa da queda da inadimplência e do esforço do governo para reduzir os juros.
Há grande risco, porém, de a indústria não acompanhar a retomada devido aos problemas estruturais que limitam a competitividade do setor, destaca Newton Rosa, da SulAmérica Investimentos. Mas a grande ameaça é a crise europeia. Sérgio Vale, da MB associados, observa que há ainda uma grande incerteza sobre a continuidade da Grécia na zona do euro. Os dados de recuperação da economia não alteraram a expectativa de que o BC vai reduzir a taxa básica de juros em mais 0,5 ponto neste mês, para 7,5% ao ano.
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