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Economia

Nível de hidrelétricas é o menor em 10 anos

24 novembro 2012 - 13h38 Por Ana Paula Duarte/ Fonte: Estadão

Em 11 meses, o nível dos reservatórios das hidrelétricas caiu para menos da metade nas principais usinas hidrelétricas do País. Trata-se do menor volume de armazenamento de água desde 2001, nas regiões Sudeste, Centro-Oeste e Sul. Para alguns analistas, a forte queda nas represas é um indício do que vem pela frente quando grandes hidrelétricas a fio d’água (sem reservatórios) entrarem em operação, a exemplo de Belo Monte e das usinas do Rio Madeira (Santo Antônio e Jirau).

Apesar das chuvas que começaram a cair em algumas regiões do País, os reservatórios continuam em nível baixo. Na semana passada, apenas o sistema Nordeste, que apresenta os piores níveis de armazenamento do País, conseguiu uma modesta melhora. O volume de água nas represas subiu de 32,4%, no dia 17, para 32,8%, na quinta-feira.

Nos sistemas Sudeste, Centro-Oeste e no Sul, a queda nos níveis atingiu 1 ponto porcentual no período, segundo relatório do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). No Norte, a queda foi de 0,6 ponto.

Um exemplo da situação delicada dos reservatórios é a Hidrelétrica de Itumbiara, localizada no Rio Paranaíba, entre os municípios de Itumbiara (GO) e Araporã (MG). A usina está com 13,46% de armazenamento em seu reservatório - isso significa apenas cinco metros acima da cota mínima da hidrelétrica.

Mas, de acordo com Marcelo Roberto Rocha de Carvalho, gerente da Divisão de Hidrologia de Furnas, controladora da usina, o volume de água em Itumbiara melhorou nos últimos dias. "Ela atingiu o menor nível em 1.º de novembro, com 9% de armazenamento."

Segundo ele, o pior resultado foi em 2001, quando a usina alcançou 7% de volume de água na represa. O executivo explica que, apesar do nível baixo, a operação da usina funciona normalmente, sem a necessidade de ampliar as medidas de segurança. "Uma usina é projetada para operar com qualquer nível de armazenamento, sem alterar os custos de manutenção e operação", completa o gerente do Departamento de Estudos Eletroenergéticos da Operação de Furnas, Luiz Edmundo dos Santos Ferreira.

Mas, com o volume baixo, é o ONS quem determina de que forma será feita a operação da usina. Itumbiara tem potência para gerar 2.100 MW, mas neste momento está produzindo quase metade disso (1.100 MW), afirma Carvalho. Outra usina de Furnas que também está com volume baixo é a Hidrelétrica de Marimbondo, localizada no Rio Grande, entre as cidades de Icém (SP) e Fronteira (MG). A usina, de 1.440 MW, está com 17,93% de armazenamento. No ano passado, no mesmo período, estava com mais do que o dobro de volume de água.

Um técnico do ONS explicou que, em alguns casos, é estratégico manter esses reservatórios com níveis mais baixos e fazer a regularização da bacia nas hidrelétricas que ficam acima, na cabeceira dos rios. No caso de Itumbiara, a represa é da usina de Emborcação, que está com 45,22% de armazenamento. "É preciso segurar nos reservatórios rio acima para não jogar água fora na última usina, nesse caso Itaipu", afirmou ele.

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