Com a compra da Seara das mãos da Marfrig, anunciada na manhã desta segunda-feira (10), a JBS trabalha com a expectativa de ver seu faturamento anual aumentar em R$ 10 bilhões. A decisão de vender a operação da Seara foi tomada pela Marfrig por conta do elevado endividamento do grupo. A JBS desembolsou pelo ativo R$ 5,850 bilhões, que inclui a marca, 30 plantas e 21 centros de distribuição, além da unidade de couros da empresa no Uruguai, a Zenda. O valor refere-se à dívida da Marfrig e da Seara com bancos nacionais, com vencimentos entre 2013 e 2017 – 65% em dólar e 35% em real. Para Wesley Batista, presidente da JBS, a geração de caixa da empresa será suficiente para quitar essas dívidas.
A redução do endividamento, segundo Sergio Rial, futuro presidente da Marfrig, era uma das missões da empresa. O executivo tinha como meta reduzir a dívida a R$ 2 bilhões até 31 de dezembro de 2013. A Marfrig terminou o primeiro trimestre com uma dívida líquida de R$ 9,826 bilhões.
Para Batista, o negócio é feito em um momento favorável ao mercado, já que as commodities agrícolas [ base da alimentação de aves e suínos ] estão com os preços em baixa e o dólar, que favorece as exportações, seguem em alta. Para o controlador da JBS, a aquisição ocorre em uma fase favorável á empresa. "Vamos absorver isso com bastante confiança, já que estamos desalavancados [ sem dívidas ] e melhoramos o perfil da dívida", afirma Batista.
Futuro da marca
A JBS ainda não definiu se vai utilizar a marca Seara para toda a linha de aves, suínos e processados. Mas a lógica é que o grupo passe a utilizar a marca, que passou por um esforço grande de marketing nos últimos anos. Além das campanhas publicitárias, a Seara é patrocinadora do Santos e da Fifa. "Por questões operacionais", segundo Rial, o contrato com a CBF foi rompido recentemente.
Com o negócio, que ainda depende da aprovação do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), a JBS (maior exportadora global de carne bovina) será líder mundial no segmento de aves. Em alimentos processados, a companhia ficará com a segunda posição, atrás da BRF.
Para os executivos das duas empresas, o sinal verde deverá ser dado rapidamente, já que não há sobreposições de negócios. A JBS atualmente é dona da Doux Frangosul no segmento de aves. Rápida também foi a negociação entre Marfrig e JBS. As duas empresas levaram três semanas para bater o martelo. Para Batista, no entanto, a integração da Seara ao grupo deverá ser tranquila. "Acreditamos na nossa capacidade de integrar a Seara. Nossa última grande aquisição foi feita em 2010, A JBS teve tempo nos últimos anos para focar em seus negócios", afirma o empresário.
Gilberto Tomazoni, que preside a JBS Aves, assumirá a presidência da unidade de aves, suínos e industrializados da companhia no País, agora que conta com a Seara Brasil. O executivo é conhecido do setor, já que atuou cerca de 30 anos na Sadia (hoje BRF).
Metade das vendas da Seara concentra-se no mercado interno e a outra metade vem das exportações, principalmente para países asiáticos. "Este é um negócio que estrategicamente atende as duas companhias", segundo Batista.
De acordo com Rial, não está nos planos da empresa a venda de outros ativos, já que o negócio com o JBS deu um bom fôlego financeiro à Marfrig. Mas o executivo não descarta que outras oportunidades apareçam no radar da companhia. "Comprar e vender é um processo bastante dinânimo. Mas agora isso será feito de maneira mais consistente", explica Rial.
Uma das reclamações feitas por acionistas e analistas de mercado sobre o desempenho da Marfrig nos últimos anos é quanto à quantidade de aquisições. O grupo ganhou tamanho, mas não conseguiu tornar o ativo rentável como se esperava. A sinergia, segundo especialistas, foi lentra e ineficiente, o que ficou evidente com o passar do tempo no balanço da empresa.
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