Faltando poucos dias para o fim do prazo de entrega da declaração do Imposto de Renda (IR), cerca de 16 milhões de brasileiros ainda não prestaram contas ao Leão. Dados da Receita Federal mostram que, até a última quinta-feira, somente 11,4 milhões dos 27 milhões de contribuintes haviam enviado os formulários. Para aqueles que têm restituições a receber, pode ser um bom negócio deixar o acerto com o Fisco para a última hora.
Como, tradicionalmente, a Receita empurra essas pessoas para o fim da fila, durante as devoluções, os tributos serão corrigidos pela taxa básica de juros (Selic), que está em 11% ao ano e pode subir um pouquinho mais, a 11,25%, em maio. Não há hoje, no mercado, nenhuma aplicação financeira que dê esse tipo de retorno. A tradicional caderneta de poupança, por exemplo, paga 6,17% ao ano. Os fundos de renda fixa têm rendido, em média, 7% anuais.
Mas, como tudo tem o outro lado, é importante ficar atento. Ao deixar a entrega do IR para a última hora, os riscos de erros no acerto de contas com o Leão aumentam muito. E mais: aqueles que têm imposto a pagar terão as parcelas corrigidas pela Selic. “Por isso, é sempre bom ponderar todas as possibilidades para que, ao fim do processo, não se saia no prejuízo”, diz o consultor Antonio Teixeira, da IOB Folhamatic.
Outra ressalva: muita gente costuma antecipar as restituições com os bancos. Os juros médios dessas operações estão em 3% ao mês ou 42,5% ao ano. Quer dizer: quanto mais demorar a restituição, mais encargos se pagará aos bancos. E não há Selic que compense isso.
Os especialistas alertam ainda para outro problema comum aos atrasados. Com tanta gente para enviar informações à Receita, a possibilidade de o sistema ficar congestionado é grande. Isso ocorreu em anos anteriores. O contribuinte que ficar na mão e perder o prazo para a declaração — que acaba em 30 de abril — está sujeito ao pagamento de multa de 1% ao mês. O mínimo é de R$ 165,74 e o máximo, de 20% do imposto devido.
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