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Economia

Paixão por cervejas especiais inspira franquias a partir de R$ 65 mil

22 maio 2014 - 15h30 Por Mayara Medeiros - Uol

Embalados pelo gosto nacional e pelo crescente interesse na diversidade de rótulos, empresários estão apostando em franquias de cervejas especiais --bebidas produzidas artesanalmente ou com ingredientes nobres.A paixão pela bebida motiva muitos a entrarem no mercado. "A maioria dos franqueados são apreciadores de cerveja que desejavam ter o negócio próprio", diz o fundador da rede Mestre-Cervejeiro.com e sommelier de cerveja Daniel Wolff, 36.

O mesmo vale para a rede Mr. Beer, que procura pessoas que tenham afinidade com o produto para operar os pontos de venda, segundo o diretor Humberto Ribeiro. A franquia já tem mais de 80 unidades distribuídas por 23 Estados. É possível abrir unidades com investimento inicial a partir de R$ 65 mil para um quiosque da Mr. Beer, desembolsar R$ 128 mil por uma loja da Mestre-Cervejeiro.com ou gastar até R$ 650 mil para ter um bar e loja da Confraria Paulistânia.

O faturamento das redes varia de R$ 35 mil a R$ 80 mil, e a margem de lucro, as redes estimam, é de 12% a 22%.Os empresários afirmam que os clientes são bem diversificados, indo desde apreciadores e conhecedores da bebida até curiosos e quem procura opção de presente.

Outra característica dos consumidores é que não são fieis a um rótulo ou marca, e, sim, buscam novidades. O gasto médio é de R$ 70.Criada em 2009, em São Paulo, a Mr. Beer oferece em sua rede quase 400 rótulos --cem deles, exclusivos. Os preços das cervejas variam de R$ 13,90 a R$ 179,90. "Em 2012, viramos importadores, o que nos permite trazer cervejas exclusivas a preços mais competitivos", afirma Humberto Ribeiro, diretor da empresa.

A Mestre-Cervejeiro.com, de Curitiba, nasceu como um site sobre cultura cervejeira em 2004 e só em 2012 virou franquia. Atualmente, há seis unidades abertas: três em São Paulo e três no Paraná. Nas lojas da rede, há rótulos de R$ 6,90 a R$ 199.

Dona de marca própria de cerveja, a Confraria Paulistânia lançou a franquia em 2013. Até agora há apenas uma unidade piloto, em São Caetano do Sul (Grande São Paulo). O local reúne bar e loja e oferece quase cem rótulos de cervejas nacionais e importadas, que custam de R$ 8,50 a R$ 100.

Cliente quer novidades e lojas podem escolher o que vender

Para sempre oferecerem novidades, os donos das franquias podem escolher as cervejas que desejam colocar à venda em suas lojas, mas a franqueadora faz um trabalho de curadoria, indicando rótulos.Para Ana Vecchi, diretora da consultoria Vecchi Ancona, especializada em franquias, apesar de uma característica do sistema de franchising ser a padronização dos produtos e serviços, isso não é negativo para o negócio.

"É uma flexibilidade inteligente, o empresário tem que estar atento às preferências regionais. Isso também acontece, por exemplo, com sabores de sorvetes."

Franquia tem que "educar" equipe e até consumidores

Para Vecchi, o mercado é interessante e tem potencial de sucesso no país, mas é preciso ter conhecimento dos produtos e formar bem a equipe.  

"Existe uma infinidade de rótulos, de diversos tipos, e o vendedor precisa conhecer o produto para fazer indicações para quem não conhece e também para atender o apreciador, que pode entender bastante do assunto."

Vecchi diz que é importante escolher uma franquia que ofereça treinamentos para o franqueado e para a equipe. "Um papel dessas franquias também é formar o público consumidor, pois ainda há muita gente que não conhece. Por isso, é importante oferecer degustações e palestras sobre o tema", declara.

Reinaldo Messias, consultor do Sebrae-SP (Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de São Paulo), diz que as degustações também ajudam o empresário a girar seu estoque.

"Elas são uma boa opção para desencalhar bebidas que estiverem próximas da data de validade. Outra opção é combinar a garrafa com um copo ou outro acessório e vender a um preço promocional."

Ele diz ainda que negócios deste tipo têm mais chances de sucesso em bairros nobres. "Estas lojas não têm como alvo o bebedor de cerveja e, sim, o apreciador. É importante estar num local em que a renda população seja compatível com o preço do produto", declara.

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