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Mantega muda discurso e admite que preço da gasolina poderá subir

04 maio 2011 - 18h24

No início de abril, ministro da Fazenda rebateu afirmação do presidente da Petrobrás de que haveria necessidade de reajustar combustível


 


O ministro da Fazenda, Guido Mantega, alertou ontem que a Petrobrás poderá aumentar o preço da gasolina para adequar sua produção ao alto custo do barril de petróleo no mercado internacional. Em abril, no entanto, o ministro chegou a afirmar que o governo não cogitava aumentar o preço do combustível, contrariando a previsão do presidente da Petrobrás, Sérgio Gabrielli. 


"Se permanecer essa situação do barril elevado no exterior, pode ser que em algum momento a Petrobrás tenha que elevar o preço da gasolina", disse Mantega em audiência na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), do Senado. 


De acordo com o ministro, se o reajuste ocorrer - mesmo com o esperado alívio no preço da gasolina a partir deste mês em função da colheita da cana-de-açúcar e da consequente melhora na oferta de etanol -, o governo poderá diminuir a alíquota da Cide, imposto que regula o mercado de combustíveis. 


"Aí nós podemos reduzir a Cide, de modo a não criar aumento no preço de gasolina, mas isso é um problema para o futuro", acrescentou. Esse artifício já foi usado pelo governo durante a crise financeira mundial para evitar que o aumento da Petrobrás para as refinarias chegasse no preço do combustível na bomba.


Questionado por senadores da oposição, Mantega argumentou que o preço atual do petróleo estaria no mesmo patamar da crise do fim da década de 70. "Não é brincadeira. É um problema mundial, que afeta menos o Brasil que é autossuficiente, mas nos influencia porque compramos alguns derivados, como diesel", afirmou.


Inflação


O aumento do petróleo no mercado internacional também seria um dos fatores por trás do crescimento da inflação no Brasil, assim como a alta das commodities alimentícias. Mantega garantiu que o governo tomará todas as medidas necessárias para conter a alta dos preços.


"Mesmo que o foco principal da inflação seja gerado fora do País, temos uma economia aquecida com alguns focos internos, como serviços. Por isso, temos que evitar que a inflação contagie outros setores da economia", afirmou.


De acordo com Mantega, o governo também quer evitar que produtores passem adiante a inflação do passado, criando um "círculo vicioso". Para o ministro da Fazenda, o Brasil encerrará o ano com a inflação dentro da meta, que tem como limite 6,5%.


Mantega disse ainda que o cenário permitirá um reajuste real do salário mínimo no próximo ano. "É coisa do passado essa mentalidade de que aumento de salário gera pressão inflacionária. Aumento do salário mínimo é mercado, é consumo, é estímulo à produção e ao investimento."


O ministro disse que, se a economia estiver equilibrada, ela suportará o reajuste do piso salarial previsto entre 13% e 14% em 2012.


Ao ser questionado sobre a valorização do real, Mantega acusou países que vivem de câmbio manipulado de terem vantagens no comércio com o Brasil. Ele afirmou que a valorização excessiva do real transformaria o Brasil em exportador de commodities e traria a doença holandesa. "Isso não será permitido."


O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, também afirmou que "sempre existiu" a possibilidade de haver reajustes nos preços da gasolina, desde que fosse ultrapassado um determinado patamar de custos. "Vamos segurar até não aguentar mais", disse Lobão ao chegar para um evento da União Brasileira do Biodiesel (Ubrabio).


Programa


O ministro confirmou também que está pronto o texto do decreto que prorroga a vigência do programa Luz para Todo até 2014, conforme antecipou a Agência Estado na semana passada.


Lobão afirmou que tratou do assunto ontem com a presidente Dilma Rousseff, porém ponderou que não está decidida a data de publicação do decreto, pois ainda será necessário tratar do assunto com associações do setor elétrico e distribuidoras de energia.


O ministro disse, ainda, que está na Casa Civil o anteprojeto do novo marco regulatório da mineração. O projeto que trata da criação de uma nova agência reguladora, porém, está sendo analisado pelo Ministério do Planejamento. Já o texto que trata da mudança do royalties no setor mineral está no ministério da Fazenda.


Da redação

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