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Petrobrás continua discutindo alta da gasolina com o governo

16 maio 2011 - 22h48

Diretor da estatal expressou, no entanto, dúvidas sobre a viabilidade de um acerto que permita repassar ao mercado interno as elevações nos preços do petróleo 


  O diretor de Abastecimento da Petrobrás, Paulo Roberto Costa, afirmou nesta segunda-feira, (16) à tarde que a estatal continua conversando com o governo sobre a possibilidade de aumento do preço da gasolina. "Conversas não param nunca, mas não sei se é possível", disse ao expressar dúvidas sobre a viabilidade de um acerto com o governo que permita à estatal repassar ao mercado interno as elevações nos preços internacionais do petróleo.


  Costa também destacou que no primeiro trimestre a área de abastecimento obteve resultados operacionais positivos, apesar do prejuízo de R$ 95 milhões. O executivo, porém, não quis comentar a influência que a política de não repasse da elevação dos preços do petróleo teve nesse resultado.


  "O que eu posso fazer é o que está na minha mão, e o que está na minha mão foi o que eu apresentei a vocês", disse, depois de divulgar dados que mostram aumento da produção de gasolina e diesel no primeiro trimestre na comparação com igual período de 2010.


  Mais cedo, o diretor financeiro da Petrobrás, Almir Barbassa, fez afirmações em outra direção. Ele defendeu a política de preços da companhia, de não passar a volatilidade do mercado internacional para os preços do diesel e da gasolina. Segundo ele, a "política de preços da companhia tem sido bem sucedida em manter a estabilidade dos preços domésticos". Além disso, seguindo esta estratégia, a companhia também tem sido eficaz em manter o fluxo de caixa satisfatório. "Nosso caixa tem tido o mesmo desempenho no longo prazo do que se tivesse repassado as altas que ocorrem no preço do barril no curto prazo", afirmou.


  Barbassa ainda aproveitou para dizer que a Petrobrás, com esta política, "cuida bem do consumidor" ao manter os preços estáveis. "Nós garantimos a oferta a preços estáveis. O consumidor brasileiro é bem cuidado e valorizado desta maneira. Saber de antemão quanto custa o combustível é ideal", disse.


  Um gerente executivo de abastecimento, presente à coletiva, no entanto, admitiu que o não repasse da alta internacional para o diesel e a gasolina foi o principal responsável pelo prejuízo de R$ 95 milhões que a área registrou no primeiro trimestre. Somado a isso, destacou o gerente, houve incremento dos investimentos na área de refino, o que contribuiu para levar a área ao prejuízo.


  'Estaleiros não darão conta da demanda'


  O diretor de Abastecimento, Paulo Roberto Costa, afirmou ainda que os estaleiros brasileiros não darão conta de atender a demanda do setor de petróleo no País se não houver aumento da capacidade instalada. "Ou se aumenta os estaleiros ou se faz estaleiros novos. Não dá para atender a demanda com os existentes", disse.


  Segundo o executivo, a área de exploração e produção da Petrobrás deve ter mais 250 barcos de apoio até 2020. Desses, 146 estão previstos para até 2017, dos quais 96 já foram licitados. Hoje, a estatal tem 240 barcos de apoio em operação, todos afretados.


  Já para a área de abastecimento, 88 navios foram contratados por meio da primeira e da segunda fase do Promef Programa de Modernização e Expansão da Frota (Promef) e das duas etapas do programa Empresas Brasileiras de Navegação (EBN). Atualmente, a área de abastecimento tem 190 navios operando, entre embarcações próprias e afretadas.


  "A medida que os 88 navios forem sendo entregues, eu posso reduzir dos 190 e alguns podem ser acrescidos se eu precisar de mais transporte", declarou o executivo.


 


Helton Verão/Estadão

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