E o Gigante da Colina renasceu. Com emoção, como uma final tem de ser, o Vasco soltou o grito de 'É campeão!' após a derrota por 3 a 2 para o Coritiba, nesta quarta-feira, no Couto Pereira - na ida, havia vencido por 1 a 0. Após 90 minutos de muita emoção, os torcedores puderam desentalar suas gargantas com a conquista inédita da Copa do Brasil.
A conquista veio de maneira emocionante. O Vasco abriu o placar no início do jogo, com Alecsandro, mas o Coritiba conseguiu a virada ainda no primeiro tempo, com Bill e Davi. Na segunda etapa, Eder Luis empatou e depois Willian, num belo gol, recolocou o Coxa à frente. Mais um gol e o Coritiba seria campeão - mas o Vasco conseguiu segurar a pressão e vai levar o troféu para o Rio.
Além do título, o Vasco é o primeiro clube brasileiro a garantir vaga na Copa Libertadores de 2012. O clube não disputava a competição desde 2001, após ser campeão da Copa João Havelange, em 2000. O Coritiba, agora, volta as atenções para o Campeonato Brasileiro.
Vasco consegue vantagem, Coxa corre atrás e vira
O Coritiba começou o jogo fazendo o dever de casa, pressionando. O objetivo era tirar a vantagem construída pelo Cruz-Maltino no jogo de ida. Os cinco minutos iniciais foram jogados quase em sua totalidade no campo de defesa dos visitantes. Só escanteios foram três. Bolas rebatidas pela defesa, inúmeras.
Passada a pressão, o Vasco colocou a bola no chão. Utilizando a experiência de Felipe e Eduardo Costa, o time passou a tocar a bola. E a fórmula deu certo.
Aos 11 minutos, as três principais armas do time na Copa do Brasil entraram em ação: Diego Souza recebeu, pensou rápido e deu ótimo passe em profundidade para Eder Luis. O camisa 7 não deixou por menos, engatou a quinta e entrou pela direita sozinho. Tranquilo, ele esperou pelo posicionamento ideal de Alecsandro e o camisa 9 completou para o fundo das redes.
Um gol obrigava o Coxa a fazer três para conquistar o título. O medo do técnico Ricardo Gomes era que o time recuasse. E, de fato, aconteceu. A torcida voltou a gritar e os donos da casa, a pressionar.
A insistência logo surtiria efeito. Após levantamento na área, aos 29, o lateral-direito Jonas escorou para o meio. O atacante Bill, na força, ganhou de Dedé e, quase em cima da linha, empurrou para empatar.
O Couto Pereira veio abaixo. Os gritos dobraram de intensidade, a tensão dos vascaínos triplicou. E olha que o pior, pelo menos pior àquela altura, ainda estava por vir.
Faltando três minutos para o final do primeiro tempo, os vascaínos já se contentavam em ir para o vestiário com o empate no placar. Mas Davi, meia do Coritiba, não. Aos 44, Léo Gago mandou o chuveirinho para a área e a zaga do Vasco falhou, deixando Rafinha livre. O camisa 7 bateu cruzado e Fernando Prass conseguiu a defesa. Mas lá estava Davi para deixar tudo igual.
E o primeiro terminou do jeito que o Coritiba queria. Vantagem no placar e torcida jogando ao lado.
Segundo tempo de pura emoção e tensão!
O segundo tempo começou brigado, com a catimba típica de uma final. Falta forte de um lado, pontapé desnecessário do outro e o juiz Sálvio Spínola começava a ter de prestar mais atenção.
Ao contrário do final do primeiro tempo, a defesa vascaína parecia bem postada, tranquila. A experiência de Felipe novamente voltava a dar o ar da graça.
Dez minutos se passaram e o Coritiba começou a se preocupar. Preocupação no futebol é sinônimo de desatenção. Era a chance do Vasco partir para os contra-ataques.
E o Cruz-Maltino foi. Após chutão para frente, Alecsandro desviou de cabeça. Eder Luis usou a velocidade entre os zagueiros do Coxa. Na entrada da área o atacante chutou, a bola deu um leve desvio e Edson Bastos aceitou.
Mas o Coxa não estava morto. Jogando em casa a equipe tinha um importante aliado, a torcida, que não parava de apoiar. E a esperança voltou a se renovar.
Aos 21, Willian, após sobra, arriscou do meio da rua. A bola entrou no ângulo de Fernando Prass. Era o Coritiba renascendo na finalíssima.
De fora da área, Eder Luis fez o gol que garantiu o título inédito (Foto: Cleber Mendes)
Pressionado, Ricardo Gomes optou pelas saídas de Felipe e Diego Souza para recuar o time com Jumar e Bernardo em seus lugares. Pressionado em seu campo de defesa, o Vasco chamava o Coritiba ao ataque.
Aos 29, Bill teve grande oportunidade. Após lançamento, a bola desviou na defesa e o atacante bateu de direita. Mas Anderson Martins apareceu utilizando suas últimas forças em um carrinho e cortou.
O Coritiba atacava, o Vasco cortava. A pressão era grande. Mas o Cruz-Maltino lutou bravamente. Os jogadores queriam porque queriam reerguer o Gigante da Colina após oito anos adormecido.
E eles conseguiram. Os guerreiros da Colina saíram do Couto Pereira erguidos nos braços de uma torcida apaixonada, que não abandonou.
Após oito anos o Gigante da Colina volta a ser gigante e tem o prazer de gritar novamente: 'É campeão!'. E, de quebra, é o primeiro clube classificado para a Copa Libertadores de 2012.
Karla Lyara/Fonte:Lancenet
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