A obra do estádio do Corinthians não tem um projeto final. E nem vai ter. A construção usa um sistema que determina o projeto de acordo com a evolução dos trabalhos, e coloca vários processos em paralelo. O método é considerado mais arriscado por engenheiros e, se não for bem feito, pode fazer a obra atrasar e aumentar o custo.
O engenheiro supervisor do Fielzão, Carlos Pereira de Magalhães, afirmou que o estádio usa um método chamado de “fast-track” (caminho rápido, em inglês). Com esse modelo, o projeto vai sendo desenvolvido simultaneamente com o andamento dos trabalhos.
Magalhães diz que o projeto está algumas fases adiantado em relação à obra. "O que já tem contempla todas as exigências da Fifa para um estádio de abertura de Copa do Mundo", afirma.
A coordenadora dos cursos de engenharia do Complexo Educacional Faculdades Metropolitanas Unidas (FMU), Marise Miranda, explica que a técnica faz várias etapas do projeto avançarem em paralelo. Ela compara o método com a chamada engenharia simultânea, usada pelas montadoras de veículos. "O fast-track encurta o caminho, o que implica em uma série de fatores críticos, como a entrega de material, por exemplo".
Ela ressalta que a construção civil está suscetível a fatores externos, como chuvas, que podem pôr a perder todo o projeto. A especialista, no entanto, se diz otimista com as obras do Fielzão. "A técnica significa que o pessoal está bancando riscos, está com certeza de que vai dar certo. Acho que a engenharia brasileira vai dar um show na Copa do Mundo", conclui.
Para sair do papel, o Fielzão precisa de uma “ajuda” da prefeitura e que ela aprove um pacote de isenção fiscal de R$ 420 milhões que está sendo analisado na Câmara.
A isenção fiscal ainda precisa ser aprovada pela Câmara Municipal de São Paulo.
O Estádio
Durante uma audiência pública organizada pelo Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Crea) de São Paulo, o engenheiro do Fielzão detalhou o projeto, que contará com:
- 4.700 vagas de estacionamento;
- Acesso feito por vários pontos;
- Estrutura para receber 45 mil torcedores.
Módulos removíveis serão instalados para que o estádio chegue à capacidade de 70 mil torcedores, número exigido pela Fifa para que possa sediar o jogo de abertura da Copa do Mundo.
Os camarotes VIP estarão no lado oeste do estádio, área mais privilegiada para ver as partidas em razão da posição do sol, já que os jogos de futebol no Brasil são geralmente realizadas no final da tarde.
Camila Bertagnolli/Com informações do R7
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