O Palmeiras caiu. De novo. Um rebaixamento não foi suficiente para o clube resolver seus sérios problemas políticos e administrativos, com óbvia consequência no futebol. Dez anos e um dia após a primeira queda, uma década na qual inegavelmente perdeu espaço para os principais rivais, o Verdão foi mandado de volta para a Série B do Campeonato Brasileiro com um empate por 1 a 1 com o Flamengo em Volta Redonda. Na verdade, o rebaixamento acabou confirmado quando a delegação estava no ônibus de volta à capital, pontualmente no quilômetro 322 da Rodovia Dutra, no momento em que terminou o confronto entre Portuguesa e Grêmio, no Canindé.
Vaiado na maior parte do jogo, Vagner Love fez um gol no finalzinho que – aliado à vitória do Bahia e ao empate da Portuguesa, concluído mais tarde – apenas finalizou uma trajetória cheia de erros. A começar pelo trabalho de Felipão, que – dentro das limitações financeiras – montou o time como quis, mandando até dirigente embora, e saiu após 25 rodadas com um aproveitamento de 26,7%. Gilson Kleina aceitou a tentativa de virar o jogo, mas encontrou um cenário totalmente adverso e falhou com duas rodadas de antecedência.
Boa parte da torcida já estava contra quando o novo técnico chegou, o que significou perda de quatro mandos de campo e um clima de terror para um grupo de jogadores, que, mesmo sem nenhuma pressão, já apresentaria bastante dificuldade. Sem o contundido Valdivia, algo que não gerou grande surpresa, e com um Marcos Assunção esforçado, mas limitadíssimo por uma lesão no joelho, o Alviverde teve em Barcos sua única arma confiável. Foi insuficiente.
O baque dá ao Palmeiras uma nova chance de reconhecer a queda e se reerguer. Não faltam exemplos de superação na bonita e quase centenária história do clube, que precisa ser mais Palmeiras do que vem sendo e ostentar a sua fibra.