A comissão técnica e os jogadores da Seleção Brasileira estão impressionados com a calma de que passaram a desfrutar em meio à onda de protestos pelo País. Antes apreensivo com a evolução de sua equipe, Luiz Felipe Scolari já se permite passar horas na piscina na companhia do inseparável auxiliar Murtosa e tomar chimarrão e contar piadas em uma roda de conversa com jornalistas. A graça veio das vitórias sobre Japão, México e Itália, na fase de grupos da Copa das Confederações. E poderá ir embora se o time tropeçar no Uruguai, às 16h (de Brasília) desta quarta-feira, no Mineirão.
Há motivos históricos para a Seleção deixar a tranquilidade de lado na semifinal da Copa das Confederações. Como fez questão de lembrar o técnico Óscar Tabárez após o seu time ser hostilizado por torcedores do Brasil em uma partida contra a Nigéria, o Uruguai se notabilizou pela mística de não ser “muito simpático” quando enfrenta anfitriões. O exemplo mais recente ocorreu com a conquista da última Copa América, na Argentina, e o mais marcante na decisão da Copa do Mundo de 1950, no Maracanã.
Com os veteranos como Júlio César é que Felipão conta para evitar um novo Maracanaço, desta vez em Belo Horizonte. Principalmente porque os uruguaios prometem levar a campo a famosa catimba sul-americana. “É uma tradição termos clássicos continentais bem disputados, às vezes com uma conotação a mais do que em outros jogos. Mas há experiência na nossa Seleção, sim, embora algumas pessoas não notem. Temos quatros ou cinco jogadores mais velhos que já estão tomando conta da equipe”, garantiu o treinador.
De qualquer maneira, Felipão aposta em muito mais do que 11 jogadores para não ver interrompida a ascensão da Seleção Brasileira. Ao mesmo tempo em que se mantém distante das manifestações ocorridas fora dos estádios (a de Belo Horizonte promete ser a maior – e mais violenta – delas), o técnico comemora com efusividade o incentivo de milhares de torcedores do lado de dentro. Seus animados jogadores têm relacionado o empenho no gramado ao de quem canta o Hino Nacional nas arquibancadas nas últimas rodadas.
Assim como técnico e jogadores, torcedor uruguaio não se esquece do Maracanaço de 1950. De lá para cá, a Seleção Brasileira se encontrou e passou a ter uma formação bem definida. Felipão não vai inovar contra o Uruguai, ganhando o reforço do volante Paulinho, desfalque no triunfo por 4 a 2 sobre a Itália porque havia sofrido entorse no tornozelo esquerdo. “A Seleção já está em um bom caminho. Estamos resgatando um pouquinho da história, mas ainda falta um trajeto bem longo a trilhar antes de dizemos que já somos iguais aos principais times do mundo e que não precisamos temer ninguém”, disse Felipão, comedido.
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