A Justiça Federal do Paraná decidiu que o assassino confesso do cartunista Glauco Vilas Boas e do filho dele, Raoni, é inimputável --que não pode ser responsável pelos seus atos. Com isso, Carlos Eduardo Sundfeld Nunes, o Cadu, irá cumprir regime de internação compulsória em um hospital psiquiátrico.
A decisão, proferida na última sexta-feira (27), acata parecer do Ministério Público Federal, que, no início do mês, havia entregado à Justiça um laudo que aponta que Cadu é esquizofrênico.
Glauco e Raoni foram mortos na madrugada de 12 de março de 2010, quando Cadu invadiu o sítio onde a família vivia, em Osasco (SP), e matou pai e filho com quatro tiros cada um.
Cadu frequentava a Igreja Céu de Maria, fundada por Glauco em meados dos anos 90 e que segue os rituais do Santo Daime, incluindo a ingestão do chá de ayahuasca, planta alucinógena.
Ele "se dizia um profeta" e afirmava que sua missão era revelar ao mundo que seu irmão era a reencarnação de Jesus Cristo na Terra, motivo pelo qual foi à casa de Glauco e família naquela noite e acabou atirando no cartunista e no filho dele.
"Ele supunha operar um feito bíblico, movido por alucinações, visões, misticismo e, claro, por uma predisposição genética à esquizofrenia paranoide, a qual foi ganhando musculatura por conta do consumo imoderado de substâncias alucinógenas, do fanatismo religioso e da crença no sobrenatural", afirma o juiz federal Mateus de Freitas Cavalcanti Costa, na sentença.
A sentença também determinou que Cadu, que tem 25 anos, cumpra medida de segurança e seja internado por um período mínimo de três anos num hospital psiquiátrico, com possibilidade de prorrogação.
O rapaz está preso desde o dia 14 de março do ano passado, quando atirou contra policiais federais na fronteira com o Paraguai ao tentar deixar o país.
Camila Bertagnolli/Fonte: Conjuntura Online
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