Uma nova lei americana pode influenciar na rotina de internautas do Brasil e do mundo todo. A Lei de Combate à Pirataria Online planeja por meios legais fiscalizar o tráfico na internet e valorizar os direitos autorais. Se aprovada, a Stop Online Piracy Act (SOPA) como foi intitulada nos Estados Unidos, pode limitar o acesso de internautas de todo mundo, já que a maioria dos servidores são internacionais e americanos.
O técnico em informática, Leonardo Gutierres acredita que mesmo que seja aprovada, esta lei será apenas mais uma das inúmeras que já tentaram controlar o conteúdo da rede. “É tentar tapar o sol com a peneira, pois hackers vão achar formulas de burlá-la. Serão vencidos pelo cansaço” comenta.
Gutierres lembrou que quando a internet se popularizou, aumentaram a pirataria de músicas e de filmes e vários protestos de bandas e artistas contra a pirataria foram realizados, mas sem sucesso.
"Os músicos já se adequaram a essa realidade, e hoje a internet é aliada para divulgação do seu trabalho”, comentou o técnico.
Segundo ele, outro prejudicado da aprovação de leis como a “SOPA” seria a educação, que limitaria o conteúdo gratuito para alfabetização.
Visão de músico
O cantor e compositor Guga Borba não vê necessidade na limitação do conteúdo na web, a partir da sua visão como músico. “A internet é fantástica! Se fosse divulgar o meu trabalho sem ela, teria que vender CD pelo correio, sairia muito caro. Pela internet essa divulgação não tem custos”, destaca Guga.
Os trabalhos, textos e recomendações do cantor são postados em seu blog, amigos e conhecidos em outros países têm acesso a eles por meio da Internet.
Borba até oferece outra solução: “O artista podia negociar uma porcentagem de direitos de imagem para reprodução do seu trabalho na internet”.
Se aprovada
O cantor sul-mato-grossense ainda sugeriu a criação de uma comissão para apurarem quantos músicos gostariam ou não de uma limitação de conteúdo na rede, caso a lei for aprovada. E questionado qual seria sua preferência, afirma ser a favor da liberdade no acesso.
Votação
O projeto será votado em fevereiro pelo Congresso norte-americano. Companhias prestadoras de serviço de acesso à internet poderão, inclusive, ser indiciadas caso permitam o acesso a conteúdo que infrinja as leis de propriedade intelectual. Assim Google e Cia. seriam obrigados a censurar páginas do tipo.
Alguns dos sites mais acessados na internet ameaçaram tirar suas páginas do ar temporariamente, um protesto que tem sido chamado de blackout. A Casa Branca e grandes organizações como Google, Mozilla, LinkedIn, Facebook, Twitter, entre outros devem aderir ao manifesto.
O blackout já foi feito por alguns sites, incluindo alguns brasileiros. Entre eles, estão Wikipédia, Idec, A2K Brasil, Cultura Livre, CTS Game Studies, Estrombo, Observatório da Internet, Open Business.
Fora do ar um dos maiores sites do mundo
Enquanto produzíamos esta matéria, nos Estados Unidos um dos maiores sites de compartilhamento de arquivos do mundo, o Megaupload, foi tirado do ar na noite desta quinta-feira (19).
O Fundador da empresa e vários executivos estão sendo acusados de violar leis antipirataria nos Estados Unidos, informaram promotores federais do país.
O prejuízo pelo compartilhamento dos arquivos aos detentores dos direitos autorais pode chegar a US$ 500 milhões, segundo acusação.
A informação é de que o fundador do site, Kim Dotcom, conhecido como Kim Schmitz mais três executivos da empresa foram presos ainda nesta quinta-feira na Nova Zelândia a pedido de oficiais norte-americanos.
Recentemente o Mega Upload apresentou uma campanha com celebridades afirmando que também utilizam e aprovam o trabalho do site. Kim Kardashian e os músicos Alicia Keys e Kanye West figuram como garotos propaganda, mas o material foi tirado do ar pelas gravadoras.
“A maioria do tráfego de dados feito pelo Megaupload é legítimo e estamos aqui para ficar. Se a indústria de conteúdo quiser tirar vantagem da nossa popularidade, estamos felizes em abrir um diálogo. Temos boas ideias, entrem em contato”, dizia o comunicado.
Represália dos hackers
Pouco tempo depois do Megaupload.com ter sido retirado do ar pelo FBI, ataques desativaram endereços da Justiça Americana, Universal Music, Associação Cinematográfica (MPAA) e da Associação da Indústria de Gravação da América (RIAA).
O grupo de hackers “Anonymous" assumiu a autoria do ataque como um revide nas páginas do grupo no Twitter (@anonops e @youranonews), por volta das 19h.
"O Governo derruba o #Megaupload? 15 minutos depois o #Anonymous derruba os sites do governo e das gravadoras", diz um dos tuítes. "Vocês deviam ter previsto", afirmaram em outro post.
Os hackers afirmaram que esta é a maior operação do grupo, intitulada de #OpMegaupload ou #OpPayback, com 5.635 participantes.
O aviso através da mensagem “Pegue pipoca… será uma noite longa e engraçada”, prevê muito trabalho para o FBI neste caso.
Helton Verão
Atualizada 20/01 às 09h31 para acréscimos de informações
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