Com as vendas de chips suspensas em três Estados, a Claro colocou na mesa da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) um plano de investimento de R$ 5,8 bilhões até o final de 2013. Além dos R$ 3,5 bilhões já anunciados para 2012, a companhia orçou mais R$ 2,3 bilhões para o ano que vem.
Em entrevista exclusiva à Agência Estado, o presidente da operadora, Carlos Zenteno, revelou que a Claro vai antecipar investimentos no País para atender às exigências de qualidade do órgão regulador. “Vamos ter que adiantar investimentos. (…) É muito importante ressaltar que nesse valor não está incluído todo o investimento em 4G que faremos”, afirmou. A Claro foi suspensa pela Anatel de comercializar chips em São Paulo, Sergipe e Santa Catarina.
Na última sexta-feira, Zenteno foi chamado a Brasília para participar de mais uma rodada de negociações com a agência reguladora do setor. Com 310 páginas, o plano de ação apresentado pela Claro à Anatel já está em sua quarta versão. Mas, desta vez, o presidente deixou Brasília bem mais otimista. “Esperamos ter boas notícias nos próximos dias”, previu. E completou: “Não tivemos nenhum comentário adicional. (…) Entendemos que esse plano já é o final, não deve ter mais mudanças”, afirmou.
Sem novos questionamentos pela Anatel, Zenteno acredita que a companhia estará liberada para vender chips antes do Dia dos Pais, uma das principais datas do comércio. Por conta desses eventos, Zenteno acredita que a Anatel optou por cobranças mais amplas ao analisar o plano de ações da operadora. Tanto que foi preciso elaborar um documento detalhando todo o investimento mensal que será feito em cada Estado brasileiro até 2013. “É um relatório extenso. Tem Estado por Estado e cada investimento que faremos mensalmente”, afirmou.
Com essa estratégia, observou, a Anatel quer evitar problemas de comunicações durante os grandes eventos internacionais no país, em especial na Copa das Confederações, já marcada para o ano que vem. O presidente adiantou que o documento contém ainda o compromisso da empresa de ter indicadores de qualidade por Estado. Os dados, segundo ele, devem ser disponibilizados ao público pelo órgão regulador.
Zenteno admite que as perdas serão grandes com a suspensão das vendas, especialmente no mercado paulista. “A suspensão incluiu o principal mercado do país. O perfil de consumo de São Paulo é o mais elevado”, disse. Zenteno lamentou o critério de punição da Anatel para a Claro, que se baseou apenas na qualidade do atendimento de call center. Segundo ele, a operadora atingiu todos os indicadores de desempenho de rede exigido pela Anatel nos últimos meses.
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