A Lei Áurea, que aboliu a escravatura no Brasil, completa 125 anos nesta segunda-feira. Em 13 de maio de 1888, um domingo, Isabel Cristina Leopoldina Augusta Micaela Gabriela Rafaela Gonzaga de Bragança e Bourbon escreveu um bilhete ao pai : "Acabo sanccionar a lei da extinção da escravidão. Abraço Papae com toda a effusão do meu coração." Na condição de princesa regente, Isabel acabara de libertar os escravos brasileiros e comunicava a decisão ao rei Dom Pedro II, que na época fazia tratamento de saúde na Europa.
Isabel era uma defensora da causa abolicionista. Durante a primeira viagem do pai à Europa, em 1871, foi ela que, como regente pela primeira vez, e com 24 anos de idade, assinou a Lei do Ventre Livre, que libertava todos os filhos recém-nascidos de escravos. Até que assinasse a abolição definitiva, ela defenderia os escravos de outra forma. O diário do abolicionista André Rebouças registra que, em 04 de maio de 1888, 14 africanos fugidos foram abrigados em um acampamento montado a mando da princesa. No total, ela chegou a bancar a hospedagem de mil fugitivos.
No Brasil, o regime de escravidão vigorou desde os primeiros anos logo após a chegada dos portugueses. A escravidão é um capítulo da História do Brasil. Embora ela tenha sido abolida há 125 anos, não pode ser apagada e suas consequências não podem ser ignoradas.
Mais de 300 anos
Durante mais de três séculos a escravidão foi a forma de trabalho predominante na sociedade brasileira. Além disso, o Brasil foi a última nação da América a abolir a escravidão. Num país de 500 anos, um fato que perdurou por 300 anos assume grande importância na formação da sociedade brasileira.
A escravidão no Brasil teve início logo nos primeiros anos de colonização, quando alguns grupos indígenas foram escravizados pelos colonizadores que implantavam os primeiros núcleos de povoamento. Devido a fatores como a crescente resistência dos índios à escravidão, os protestos da Igreja Católica, as doenças que dizimavam a população indígena e o crescimento do tráfico negreiro, pouco a pouco a mão-de-obra escrava indígena foi substituída pela negra.
Os escravos negros eram capturados nas terras onde viviam na África e trazidos à força para a América, em grandes navios, em condições miseráveis e desumanas. Muitos morriam durante a viagem através do oceano Atlântico, vítimas de doenças, de maus tratos e da fome.
O escravo tornou-se a mão-de-obra fundamental nas plantações de cana-de-açúcar, de tabaco e de algodão, nos engenhos, e mais tarde, nas vilas e cidades, nas minas e nas fazendas de gado. Além de mão-de-obra, o escravo representava riqueza: era uma mercadoria, que, em caso de necessidade, podia ser vendida, alugada, doada e leiloada. O escravo era visto na sociedade colonial também como símbolo do poder e do prestígio dos senhores, cuja importância social era avalizada pelo número de escravos que possuíam.
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