Em meio a smartphones e tablets, que atraem cada vez mais a atenção das crianças, ainda há espaço no mercado para brinquedos educativos de antigamente, como fantoches, carrinhos de madeira, casa de boneca, dominó, quebra-cabeça e toca de índio.
Segundo dados da Abrinq (Associação Brasileira de Fabricantes de Brinquedos), dos R$ 3,87 bilhões arrecadados pelo setor, em 2012, cerca de 10% (R$ 387 milhões) vieram da venda de artigos educativos.Na loja Verde Limão Brinquedos, os principais compradores de artigos educativos para as crianças são os avós, segundo a proprietária Dora Farano Casimiro Costa, 47.
"Os avós ficam encantados porque os brinquedos lembram os que eles tinham na infância", declara.
De acordo com a empresária, depois dos avós, os que mais compram artigos educativos são os tios e madrinhas e, por último, os pais. "Ainda há uma preferência por brinquedos eletrônicos ou movidos a pilha na escolha dos pais", diz.
A loja foi aberta em 2007. Na época, Costa afirma ter investido, aproximadamente, R$ 50 mil. Os itens mais vendidos são fantoches, livros, pião de lata, casas de boneca e toca de índio, feita com bambu. Os preços variam de R$ 14 a R$ 600. Por mês, a empresa vende, em média, 500 brinquedos. O faturamento não foi informado.
Já na loja Tró-ló-ló, os brinquedos mais procurados são os feitos de madeira, como carrinhos, caminhões e trenzinhos. Os preços variam de R$ 35 a R$ 150, dependendo do produto.
A empresa começou suas atividades em 1979. Na época, a Tró-ló-ló apenas vendia brinquedos educativos. Pouco tempo depois, o dono da loja, Horácio Massoni, 65, resolveu abrir uma fábrica e começar a produzir suas próprias peças.
Mas, em 2008, ele decidiu que suspender a produção e ficar apenas com a loja seria mais rentável para o negócio.
"No Brasil, há muitos encargos para se manter uma indústria. Além disso, a concorrência no mercado é alta e decidimos que seria melhor manter apenas a loja", diz Massoni. Os valores de faturamento e investimento inicial não foram revelados.
Preço baixo favorece a compra de artigos educativos
Para o presidente da Abrinq, Synésio Batista da Costa, os brinquedos educativos são bastante significativos para o setor. Uma vantagem em relação a outros brinquedos mais sofisticados, segundo ele, é que alguns itens são mais baratos e dificilmente os pais resistem à compra.
Por outro lado, o presidente da Abrinq diz que a maioria dos artigos educativos é para crianças de até 7 anos, o que pode limitar o público-alvo. "A partir dessa idade, a criança prefere consumir produtos mais sofisticados."
Todo produto infantil, obrigatoriamente, precisa ser certificado pelo Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia), de acordo com Costa. O passo a passo para obter a certificação pode ser consultado no site da entidade.
Importados acirram concorrência no setor
A concorrência na indústria de brinquedos é alta. O setor, além de competir com as empresas nacionais, sofre diretamente com o peso de artigos importados, principalmente da China. Segundo a Abrinq, 55% dos artigos vendidos no país no ano passado vieram do exterior.
Para o consultor do Sebrae-SP (Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de São Paulo), Ricardo Curado, uma alternativa para ganhar espaço no mercado é tentar encantar os pais.
"Por mais que a criança peça um brinquedo, a decisão final é dos pais.Para chamar a atenção deles é preciso mostrar que tipo de aprendizado e benefícios o produto proporciona para os filhos", diz.
Produtos tecnológicos despertam maior interesse
Segundo o consultor em finanças e professor da Fiap (Faculdade de Informática e Administração Paulista), Marcos Crivelaro, os brinquedos eletrônicos e os aparelhos tecnológicos chamam mais a atenção da crianças.
"Se os pais levarem os filhos a uma loja e pedirem para eles escolherem entre um brinquedo educativo e um que tenha luzes, movimentos e sons, eles provavelmente optarão pelo segundo", diz. De acordo com o professor, para despertar o interesse dos pequenos para os brinquedos educativos, o empresário deve repensar a divulgação do produto.
No site da empresa, por exemplo, podem ser colocados vídeos de crianças brincando com aquele objeto e uma explicação sobre a origem do brinquedo.
"As lojas e as fábricas devem se posicionar como vendedoras de cultura inspirando-se no nosso folclore ou adotarem um posicionamento ecológico, utilizando madeira de reflorestamento e materiais recicláveis", afirma Crivelaro.
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