Agentes, escrivães e papiloscopitas da Polícia Federal (PF) aderiram à paralisação nacional de 24 horas nesta terça-feira, em Dourados. A paralisação dos policiais é em protesto por melhores condições de trabalho.
Durante o manifesto, os policiais se reuniram em frente à Delegacia Regional, vestidos de preto, em alusão ao estado de luto simbólico que a força de segurança vive por causa do sucateamento resultante da falta de investimentos por parte do governo.
Segundo o vice-presidente regional do Sindicato dos Policiais Federais de Mato Grosso do Sul (Sinpef/MS), Carlos Silva, a situação da PF é tão caótica que tem resultado em evasão do quadro de servidores, sendo que alguns cometem suicídio.
“Nos últimos dois anos pelo menos dez policiais federais tiraram a própria vida em todo país, por causa das frustrações que encontraram no cotidiano de trabalho. Outros inúmeros estão pedindo exoneração ou afastamento, tudo por causa da desmotivação. Mais policiais morreram cometendo suicídio do que durante operações contra o crime”, disse Silva.
Ele lembra que há a muito tempo a PF não recebe recursos para modernização e aumento no quadro de funcionários. Segundo ele, isso acontece como forma de retaliação das autoridades políticas por causa das recentes investigações da polícia contra a corrupção, que resultaram em prisões.
“Isso é evidente. Desde que passamos a prender políticos corruptos, começamos a ser deixados de lado pelo poder público. Chegamos ao ponto de termos nossas investigações interferidas pelo governo, o que é inadmissível. E assim, a polícia aos poucos vai morrendo, sem estrutura e com poder de atuação limitado, por isso, estamos de luto simbólico. É como se a instituição estive muito doente, à beira da morte”, disse.
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