Em meio à expansão da aviação civil, as empresas de transporte rodoviário de passageiros perderam 7,1 milhões de usuários entre 2005 e 2013 -em média, mais de 2.400 por dia.Diante dessa queda, retratada em dados da ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres), empresas do setor cortam investimentos e se dizem prejudicadas pela ação do poder público.
No mesmo período as companhias aéreas ganharam 51,2 milhões de passageiros domésticos -média de 17,5 mil pessoas por dia, segundo a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil).
"O pior já passou (perda de passageiros de 2005 a 2008), mas nunca vai voltar a ser o que era", diz Paulo Alsemo, gerente de vendas da Gontijo e da São Geraldo, duas das maiores empresas de ônibus.
Ônibus x Avião
Executivos das principais empresas de ônibus do país reclamam de benefícios concedidos pelo governo federal à aviação civil. Outro alvo de críticas é a licitação da ANTT para redistribuir a malha viária interestadual -fato que, afirmam os executivos, motiva retenção de novos investimentos.
Ana Patrizia Lira, diretora da agência reguladora, afirma que "melhor seria se ninguém pagasse o ICMS", mas defende os benefícios à aviação. "O governo quer levar o desenvolvimento para o setor aéreo que já existe no rodoviário."
Sobre a licitação das linhas interestaduais -suspensa por ordem judicial-, Lira diz que a medida irá proporcionar "maior qualidade do serviço e menores tarifas".
Por causa disso, empresas estão revendo investimentos em frota e garagens, por exemplo. "Os investimentos estão suspensos. Vamos esperar uma definição", disse Favieri, da Itapemirim.
Serviço Público
O transporte rodoviário interestadual de passageiros é considerado serviço público. Por isso, a regulação da atividade inclui licitação, controle de tarifas e oferta mínima de linhas regulares, mesmo que elas sejam deficitárias. Na aviação, não há controle sobre preço das passagens e a criação de linhas depende apenas da disponibilidade nos aeroportos.
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