Crianças brancas, recém-nascidas e saudáveis ainda são maioria no ranking de adoção no país. Para tentar reverter este paradigma, a ONG Aconchego irá lançar nesta terça-feira (24) a campanha "Adoção: Família para todos", em comemoração ao Dia Nacional da Adoção (25/05), em solenidade às 19h30 no auditório do anexo I do Palácio do Planalto, em Brasília (DF). O evento tem como objetivo sensibilizar a sociedade para a importância da adoção de crianças e adolescentes excluídos pelos perfis idealizados pela maior parte dos pais adotivos. Estarão presentes no evento o ministro Gilberto Carvalho, da Secretaria-Geral da Presidência da República, a ministra Maria do Rosário, da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, e a presidente da ONG Aconchego, Soraya Rodrigues Pereira.
Dos cerca de 29 mil meninos e meninas que vivem em abrigos no Brasil, apenas 4 mil estão aptos para adoção. Desse total, aproximadamente a metade é de raça negra e 21% possui problemas de saúde, deficiência física ou intelectual, segundo dados divulgados no último mês pelo Cadastro Nacional da Adoção.
Em Campo Grande, no último sábado (21), o Grupo de Apoio à Adoção VIDA (Geaav) fez panfletagem na esquina da rua 14 de Julho com a Av. Afonso Pena, local onde transitam milhares de pessoas diariamente. A intenção foi fazer com que mais pessoas tomem conhecimento do tema adoção, permitindo que as crianças acolhidas tenham seus direitos à convivência familiar preservados.
Em abril, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) divulgou números atualizados sobre a adoção no Brasil e o último levantamento do Cadastro Nacional de Adoção (CNA) mostra que o número de pessoas interessadas em adotar é quase seis vezes maior do que a quantidade de crianças e adolescentes disponíveis. Para quem não conhece, o CNA é uma ferramenta criada para auxiliar juízes das varas da infância e da juventude na condução dos procedimentos de adoção.
Lançado em 29 de abril de 2008, o CNA visa agilizar os processos de adoção por meio do mapeamento de informações unificadas. Além disso, o cadastro possibilita a implantação de políticas públicas na área. Dados do CNA apontam que existem em território brasileiro 4.427 crianças e adolescentes aptos a serem adotados, enquanto a lista de pretendentes atinge 26.694 pretendentes e é possível notar que o número de interessados é mais de seis vezes maior em relação aos jovens disponíveis para adoção.
Por que existe esta distância entre as duas realidades? Para a juíza Katy Braun do Prado, titular da Vara da Infância, da Juventude e do Idoso de Campo Grande, 95% das pessoas que pretendem adotar querem crianças com até cinco anos e apenas 1% das crianças disponíveis para adoção estão nesta faixa etária. “A pretensão das pessoas é por crianças que não existem. No Brasil ainda existe um preconceito muito grande com crianças de seis a oito anos – há uma rejeição muito grande a este grupo, especialmente se forem do sexo masculino”, disse ela.
Ceyd Moreles/Fonte: TJMS
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