A defesa do jornalista Agnaldo Ferreira Gonçalves, acusado pela morte de Rogério Mendonça Pedra, trabalha com a tese de que ele seja condenado por homicídio privilegiado, ou seja, ao efetuar os disparos contra o veículo na briga de trânsito agiu sobre forte emoção. Nesse caso, a pena pode reduzir de um sexto a um terço.
O advogado Valdir Custódio também usou todos os artifícios para que diminua a pena de Agnaldo e em momento algum pediu a absolvição do réu. Ele defende que o jornalista seja condenado pelo assassinato de Rogerinho e tentativa de assassinato do avô do garoto, João Afonso Pedra, que levou um tiro no queixo e não pela tentativa de assassinato das duas pessoas presentes no dia do crime, a irmã do menino, que hoje tem 7 anos e o tio Aldemir Pedra Neto, que conduzia a caminhonete. “Eu quero que o Agnaldo seja condenado pela morte do menino, mas não pelo que ele não fez”, disse.
Para exemplificar sua tese, o advogado comparou o fato com outro possível. “Se eu uma boate, alguém tenta matar uma pessoa. Ele vai ser condenado por tentativa de assassinato a 100 pessoas que estavam no local?”.
Em sua defesa usou todos os artigos possíveis presentes na Constituição para tentar diminuir a pena do jornalista. Mas a pena defendida pela defesa e pela acusação apresenta diferença exorbitante. O advogado de Agnaldo frisou o Art. 132 “Expor a vida ou a saúde de outrem a perigo direto e iminente”, onde a detenção é de três meses a um ano, se o fato não constitui crime mais grave.
Em todo o pronunciamento de Custódio, a reprovação era explícita na expressão facial do promotor Fernando Martins Zaupa.
O julgamento que começou na manhã de hoje, deve ser concluído nesta tarde, após um intervalo para o almoço.
Acusação
O jornalista afirmou que em nenhum momento sabia que tinha crianças no veículo, uma caminhonete conduzida por Aldemir Pedra Neto, tio de Rogerinho.
Mas o promotor Fernando Martins Zaupa em seu pronunciamento apresentou a perícia que comprova que dava para ver as crianças dentro do carro. Foi exibida uma reportagem televisiva transmitida no dia do crime com imagens da perícia, onde mostra que o vidro está quase transparente. Durante os autos da investigação, três testemunhas disseram que eram visíveis as crianças dentro da caminhonete. A acusação destacou que a única pessoa que disse que não dava pra ver foi Agnaldo.
O assistente e o Ministério Público usaram as gagueiras, a expressão corporal e nervosismo do réu como prova de que foi uma brutalidade e que ele se contradisse várias vezes. Também foi mencionado um caso anterior, onde prova o comportamento agressivo do jornalista. Em uma agência bancária, uma atendente pediu para que ele se retirasse da fila de idoso, e o mesmo fez um escândalo, chamou a funcionária de vaca e a ameaçou de morte.
“A verdade é alínea, a mentira é que oscila”, mencionou o promotor Zaupa.
A acusação também enfatizou a dor da família em passar o natal, por exemplo, sem Rogerinho e Agnaldo com os filhos.
Karla Lyara e Ana Maria Assis
Leia Também
Detran de Mato Grosso do Sul passa a oferecer opção de CNH exclusivamente digital
Equipamentos e 522 viaturas:
Projeto de IA do Detran-MS
Advogado quer pena menor para jornalista (Foto: Ana Maria Assis)