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Justiça

MP pede novo inquérito sobre possível ajuda na morte de Matsunaga

17 outubro 2012 - 17h00 Por Terra

 O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) pediu nesta quarta-feira à Polícia Civil que instaure um novo inquérito para apurar se Elize Matsunaga teve ajuda de outra pessoa para matar e esquartejar o marido - o empresário Marcos Kitano Matsunaga, executivo da empresa de alimentos Yoki - morto em maio deste ano. De acordo com o promotor de Justiça José Carlos Cosenzo, do 5º Tribunal do Júri da capital paulista, os laudos da perícia, do exame de DNA e outros indícios apontam que a bacharel em Direito não agiu sozinha. A investigação deve ser realizada pelo Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP).

De acordo com o promotor, responsável pela acusação, foi encontrado material biológico (entre eles sangue) que indicam a presença de pelo menos mais uma pessoa, além de Elize e da vítima, no local do crime.

"Foram encontrados três tipos de materiais biológicos no local: um do Marcos, outro do sexo masculino que não é a vítima, e um de uma pessoa do sexo feminino", explicou Consezo. Entretanto, não é possível apontar se esse material biológico já estava no local antes do crime ocorrer. Por isso, o inquérito não poderá se basear apenas na identificação do "proprietário" do DNA. O MP pediu, então, que sejam realizadas mais de 40 diligências, como colher novamente os depoimentos de algumas testemunhas, analisar imagens do circuito de segurança do prédio, entre outros pontos.

Além do exame de DNA, a Promotoria se baseou também em outro laudo da perícia para solicitar a investigação: o exame dos pedaços do corpo do empresário, cujas marcas apontam diferentes técnicas na realização dos cortes. Em algumas partes, foram usadas técnicas de cortes cirúrgicos - Elize era técnica de enfermagem e tinha profundo conhecimento em anatomia humana. Em outras, os cortes deixaram "retalhos" da pele e sangue, o que indica que teria sido feito por uma pessoa sem nenhum conhecimento cirúrgico.

"O legista me apontou que havia duas ou mais pessoas na cena do crime em razão da técnica dos cortes", completou o promotor, que disse ainda que, de acordo com as provas coletadas até agora, a maior probabilidade é que esse suposto "ajudante" tenha participado da ação após o assassinato: ou seja, do esquartejamento e da ocultação do cadáver.

O promotor elogiou a atuação da Polícia Civil na primeira fase da investigação, que foi capaz de apontar Elize como a assassina. Entretanto, como ela foi presa preventivamente poucos dias após o início da investigação, o DHPP não teve tempo hábil para dar sequência à apuração sobre a possível coautoria do crime, explicou Cosenzo. Embora a viúva de Mastunaga tenha confessado o crime, ela sempre negou ter tido ajuda para matá-lo.

Apesar da abertura de um novo inquérito, a acusação diz que o fato não muda a situação de Elize, que responde por homicídio triplamente qualificado e ocultação e destruição de cadáver. Já se for comprovado que ela teve ajuda para realizar o crime, essa pessoa poderá responder por coautoria e ocultação de cadáver. No próximo dia 12 de novembro, será realizada a nova audiência no Tribunal de Justiça para apontar se ela irá a júri popular.

Entenda o caso

O executivo da Yoki, Marcos Kitano Matsunaga, 42 anos, foi considerado desaparecido em 20 de maio. Sete dias depois, partes do corpo foram encontradas em Cotia, na Grande São Paulo. Segundo apuração inicial, o empresário foi assassinado com um tiro e depois esquartejado. Principal suspeita de ter praticado o crime, a mulher dele, a bacharel em Direito e técnica em enfermagem Elize Araújo Kitano Matsunaga, 38 anos, teve a prisão temporária decretada pela Justiça no dia 4 de junho. Ela e Matsunaga eram casados há três anos e têm uma filha de 1 ano. O empresário era pai também de um filho de 3 anos, fruto de relacionamento anterior.

De acordo com as investigações, no dia 19 de maio, a vítima entrou no apartamento do casal, na zona oeste da capital paulista e, a partir daí, as câmeras do prédio não mais registram a sua saída. No dia seguinte, a mulher aparece saindo do edifício com malas e, quando retornou, estava sem a bagagem. Durante perícia no apartamento, foram encontrados sacos da mesma cor dos utilizados para colocar as partes do corpo esquartejado do executivo. Além disso, Elize doou três armas do marido à Guarda Civil Metropolitana de São Paulo antes de ser presa. Uma das armas tinha calibre 380, o mesmo do tiro que matou o empresário.

Em depoimento dois dias depois de ser presa, Elize confessou ter matado e esquartejado o marido em um banheiro do apartamento do casal. Ela disse ter descoberto uma traição do empresário e que, durante uma discussão, foi agredida. A mulher ressaltou ter agido sozinha. No dia 19 de junho, o juiz Adilson Paukoski Simoni, da 5ª Vara do Júri no Fórum da Barra Funda, aceitou a denúncia do Ministério Público de São Paulo e decretou a prisão preventiva da acusada.

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