Nada de três ou quatro conforme aguardava a embaixada brasileira. No fim da noite dessa quarta-feira (3), sete deputados chegaram a La Paz para pressionar as autoridades bolivianas pela liberdade dos 12 torcedores corintianos presos há mais de 40 dias, em Oruro, na decorrência da morte do jovem Kevin Espada. Em entrevista pouco após o desembarque, eles defenderam liberdade ao grupo.
O único dos deputados a se pronunciar foi Nelson Pelegrino (PT-SP), presidente da Comissão de Relações Exteriores. Ele negou oficialmente o objetivo de pressionar e também a informação de que a resistência da justiça boliviana tem relação com o caso do senador Roger Pinto. Oposição ao presidente Evo Morales e condenado na Bolívia, Roger recebeu abrigo da justiça brasileira. Segundo fontes ligadas ao caso, o governo local quer o senador para liberar os 12 torcedores presos.
"Viemos transmitir que o Brasil está atento, nossa Justiça também. Não haverá impunidade e nossa Justiça julgará o caso", afirmou Pelegrino. "Não é pressão, nossa diplomacia tem feito as gestões (com os bolivianos). (...) Em momento algum isso foi colocado (senador Roger Pinto). Isso não nos chegou no Brasil e nem em conversas com autoridades bolivianas. Achamos que não há correlação. Não está na pauta", defendeu.
Em entrevista exclusiva ao Terra, entretanto, dois dos 12 torcedores presos disseram ter ouvido de advogados bolivianos que sua liberdade estaria condicionada à liberação de Roger Pinto. A versão também foi negada pelo Itamaraty em contato com o Terra. "O cidadão brasileiro jamais é moeda de troca", alegou a assessoria.
Por diversas ocasiões em aproximadamente 10 minutos de entrevista em La Paz, o deputado líder da comissão defendeu a inocência dos torcedores. "Há convicção de que os 12 presos não participaram do episódio. Nós também consideramos que eles podem responder ao processo em liberdade. Que na medida em que o inquérito se desenvolva, com elementos que serão colhidos, fique claro que não tiveram participação no episódio morte".
Inicialmente prevista para quinta-feira, a visita dos deputados em Oruro foi alterada para a sexta. Eles já têm duas reuniões confirmadas, a mais importante com o ministro de governo boliviano, Carlos Romero, e tentam viabilizar pelo menos mais duas agendas.