A Justiça do Rio negou ontem (26) um pedido de relaxamento da prisão de Danúbia de Souza Rangel, a "xerifa da Rocinha", namorada de Antonio Bonfim Lopes, o Nem, líder do tráfico na favela da Rocinha (zona sul do Rio).
Ela foi presa na noite de sexta-feira (25), acusada de associação para o tráfico. Segundo o delegado Carlos Augusto Nogueira Pinto, titular da 15ª DP (Gávea), Nem, preso no último dia 10, sustentava a mulher com o dinheiro ilícito.
O pedido de relaxamento de prisão foi apresentado durante a madrugada de sábado ao plantão judiciário. A juíza Renata Pacheco negou a medida. Ontem Danúbia foi transferida da delegacia para o complexo penitenciário de Bangu (zona oeste do Rio).
A prisão
A "xerifa da Rocinha", como ela gostava de ser chamada na comunidade, foi presa em delito flagrante, sexta (25), após ser localizada em uma casa em cima de um salão de beleza por homens do Batalhão de Operações Especiais (Bope), e convidada a depor na 15ª Delegacia de Polícia (Gávea). Segundo o delegado Carlos Augusto Nogueira, a jovem responderá por associação ao narcotráfico.
De acordo com o delegado Carlos Augusto Nogueira, a namorada do ex-chefe do tráfico na Rocinha se manteve calada durante o depoimento, afirmando que só falaria em juízo. Em alguns momentos, ela chegou a chorar, porém não deu qualquer tipo de explicação sobre a sua suposta associação ao tráfico de drogas.
Sua irmã Telma de Souza Rangel, que foi encontrada junto com ela, prestou depoimento na condição de testemunha e foi liberada por volta das 22h de sexta-feira (25).
Para justificar a prisão –já que Danúbia não tinha mandado de prisão expedido quando foi encontrada–, Nogueira argumentou que ela recebia presentes comprados com o dinheiro do tráfico, como um carro e artigos de luxo, ostentados em redes sociais.
"Há indícios veementes de crime e por isso pedimos a convolação [transformação] da prisão em flagrante para prisão preventiva a fim de que ela fique mais tempo presa. O estado 'flagrancial' é permanente, sempre que você pega um suspeito o delito se consuma. Nesse caso, o de auferir vantagens financeiras para o tráfico de drogas", disse o delegado. "Ela morava em uma casa de luxo que não poderia ser comprada por quem nem trabalha."
Ele disse ter baseado sua decisão em depoimentos formais e informais de moradores, em reportagens e nas próprias fotos publicadas na internet por Danúbia.
A namorada de Nem já foi citada ou investigada em três inquéritos na 15ª DP pelos crimes de associação ao narcotráfico, tráfico de drogas e uso de armas de fogo. Todos estão em andamento e nada foi provado até hoje.
A prisão em flagrante delito gerou um quarto procedimento, segundo o delegado.
A "xerifa" também já foi investigada pela Polinter por lavagem de dinheiro, em 2009. Na época, os bens materiais dela chegaram a ser confiscados pela polícia, porém ela conseguiu recuperá-los na Justiça.
Segundo a polícia, a namorada de Nem deixou a comunidade antes da ocupação pelas forças de segurança, no último dia 13, mas voltou para visitar a filha, que ficara com a avó. A criança não foi encontrada. A "xerifa" não apresentou resistência ao ser abordada pelos homens do Bope, que chegaram ao local a partir de denúncias anônimas. Ela aceitou o "convite" para depor e foi até a delegacia acompanhada de um advogado e da irmã.
Por volta das 22h15 desta sexta-feira, um mototaxista da Rocinha chegou à 15ª DP para entregar uma sacola com roupas e objetos pessoais de Danúbia. O material foi vistoriado pelos policiais e posteriormente entregue para a suspeita.
Entenda o caso
Nem foi preso neste mês, dentro de um porta-malas, pela Polícia Militar quando tentava fugir da comunidade dias antes da operação de pacificação.
Os setores de inteligência das forças policiais do Rio de Janeiro tentavam descobrir a partir de denúncias anônimas o esconderijo de Danúbia. Segundo a polícia, o comando da operação "Choque de Paz", que ocupou as favelas da Rocinha, do Vidigal e da Chácara do Céu, já estava investigando outras denúncias sobre possíveis esconderijos da "xerifa da Rocinha".
O nome de Danúbia consta em uma investigação da Polinter, concluída em 2009, sobre um suposto esquema de lavagem de dinheiro do tráfico. Porém, não há mandado de prisão contra a namorada de Nem.
A "xerifa da Rocinha" era temida na comunidade por conta de seu temperamento explosivo e ciumento. Segundo moradores, Danúbia odiava ser chamada de "viúva negra" (em alusão ao fato de que ela já foi namorada de dois traficantes mortos), e teria ordenado há alguns meses o espancamento de uma jovem da favela que supostamente mencionou o apelido.
Na quinta-feira (10), quando Nem foi transferido para presídio de Bangu, Danúbia foi vista na porta da Polícia Federal, chorando, ao lado do advogado do traficante. Depois disso, ela não foi mais vista.
Lavagem de dinheiro
Em abril desse ano, agentes da Polinter em parceria com o Núcleo de Lavagem de Dinheiro da Polícia Civil desencadearam uma megaoperação para reprimir atividades ilícitas na favela, porém não conseguiram cumprir os mandados de prisão expedidos contra supostos laranjas de Nem. A namorada do ex-chefe do tráfico na Rocinha era uma das pessoas investigadas.
Além dela, foram citados no inquérito o líder comunitário Vanderlan Barros, conhecido como Feijão, o irmão dele, Telmo Oliveira Barros. Na época, os policiais chegaram a apreender um caminhão de gelo da empresa administrada por Feijão dentro de um estacionamento na estrada da Gávea.
Helton Verão/Com informações do UOL
Leia Também
Detran de Mato Grosso do Sul passa a oferecer opção de CNH exclusivamente digital
Equipamentos e 522 viaturas:
Projeto de IA do Detran-MS
Divulgação