Uma operação da Polícia Federal contra lavagem de dinheiro e má gestão de recursos de entidades previdenciárias públicas, deflagrada na manhã desta quinta-feira (19), cumpre 102 mandados judiciais.
Ao todo, são 27 mandados de prisão (5 preventivas e 22 temporárias) e 75 mandados de busca e apreensão em duas cidades de Mato Grosso do Sul - Ponta Porã e Porto Murtinho - e mais nove Estados: São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Mato Grosso, Distrito Federal, Goiás, Maranhão, Amazonas e Rondônia. A PF não informou quantas pessoas já foram presas. Denominada Operação Miquéias, a ação pretende desarticular duas organizações criminosas com atuações distintas, segundo nota da PF.
Uma delas é acusada de aliciar prefeitos e funcionários públicos para investirem dinheiro de regimes próprios de previdência social em fundos de pouca rentabilidade. Em troca, os agentes públicos recebiam um percentual do investimento.
Segundo a PF, "a investigação teve início há um ano e meio para apurar lavagem de dinheiro por meio da utilização de contas bancárias de empresas de fachada ou fantasmas, abertas em nome de laranjas ou testas-de-ferro, de forma a ocultar os verdadeiros responsáveis por tais movimentações".
De acordo com as investigações, descobriu-se que as empresas eram usadas para lavagem do dinheiro proveniente de crimes diversos.
Ainda segundo a PF, assim que entrava nas contas bancárias das empresas investigadas, o dinheiro de origem ilícita circulava por outras contas pertencentes à quadrilha até serem, enfim, sacados em espécie.
Nos 18 meses de investigação, foram sacados mais de R$ 300 milhões nas contas dessas empresas.
As investigações apontam que a quadrilha tinha três núcleos distintos que contavam com a participação de policiais civis do Distrito Federal, responsáveis pela proteção da quadrilha.
A PF afirma que os líderes da organização criminosa também aliciavam prefeitos e gestores de regimes próprios de previdência social para que eles "aplicassem recursos das respectivas entidades previdenciárias em fundos de investimentos com papéis pouco atrativos, geridos pela própria quadrilha e com alta probabilidade de insucesso".
Esses fundos eram formados por "papéis podres", decorrentes da contabilização de provisões de perdas por problemas de liquidez ou pedidos de recuperação judicial dos emissores de títulos privados que compõem suas carteiras. Isso teria causado prejuízos para esses regimes de previdência.
Sempre de acordo com a PF, os prefeitos e gestores dos regimes eram remunerados com um percentual sobre o valor aplicado.
A operação ocorre em parceria com o Núcleo de Combate ao Crime Organizado (NCOC) do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios. Segundo o MP, 18 pessoas já foram presas e 22 mandados de busca e apreensão foram cumpridos.
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