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Polícia

'Tiro acidental' de policial mata adolescente e gera protesto, diz PM

28 outubro 2013 - 07h52 Por Louíse Lins

Um policial militar foi "autuado em flagrante delito por homicídio culposo (quando não há a intenção)" na tarde desse domingo (27) após efetuar um "tiro acidental" que atingiu um adolescente de 17 anos, na Zona Norte de São Paulo, segundo informações da Polícia Militar. O jovem foi socorrido e levado para o Hospital Jaçanã, onde morreu. O policial responderá a inquérito criminal. 

O incidente gerou um violento protesto por parte de moradores da Vila Medeiros, que incendiaram três ônibus, atiraram pedras em veículos e destruíram lixeiras e telefones públicos. A Força Tática da PM precisou recorrer a bombas de gás lacrimogêneo e a disparos de balas de borracha para dispersar os manifestantes.

Segundo a Polícia Militar, na tarde de ontem, no bairro do Jaçanã, "policiais militares atendiam ocorrência de perturbação do sossego, quando suspeitaram de dois indivíduos e decidiram fiscalizá-los". "Ao sair da viatura para realizar a abordagem, por motivo a esclarecer, houve disparo acidental, que atingiu um adolescente, de 17 anos, no tórax", informa comunicado da corporação.

O incidente se deu na Rua Bacurizinho, esquina com a Avenida Mendes da Rocha, por volta das 14h. Ao menos 40 pessoas participaram de manifestação. O grupo montou barricadas, bloqueando a Avenida Mendes da Rocha.

No início da noite, policiais da Força Tática da PM passaram a dispersar os manifestantes, com bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha. O grupo revidou, arremessando pedras e incendiando um carro. A via permaneceu fechada até as 21h deste domingo, quando o desbloqueio foi finalmente concluído.

De acordo com a assessoria de imprensa da SPTrans, ao menos três ônibus foram incendiados pelos vândalos durante o protesto. O Corpo de Bombeiros foi acionado para apagar o fogo dos veículos e das barreiras incendiadas e, assim, liberar as vias. A ocorrência foi registrada no 73º Distrito Policial, no Jaçanã, na Zona Norte de São Paulo.

A mãe do adolescente disse que ele não entendeu por que foi alvo do disparo de um policial militar.

“Por que o senhor atirou em mim?”, perguntou o adolescente ao policial, segundo a mãe. A corporação afirmou que o disparo foi acidental.

Revoltados com a atuação da polícia, moradores fizeram protesto na noite deste domingo.
O estudante Douglas Rodrigues, de 17 anos, passava com o irmão de 13 anos em frente a um bar quando foi abordado pelos policiais. Foi nesse momento que o disparo ocorreu. “Nem ele sabe por que tomou um tiro”, disse Rossana de Souza ao Bom Dia São Paulo, nesta segunda-feira (28).

Douglas, que foi atingido no peito, foi levado a um hospital da região, mas não resistiu. “Ele deu o tiro dentro do carro. Não falou nada, não teve nem reação”, disse uma testemunha. O soldado de 31 anos afirmou que o tiro foi acidental. Ele foi autuado em flagrante por homicídio culposo, quando não há intenção de matar. Segundo a família, o estudante trabalhava em uma lanchonete.

“Ele não tinha preguiça de trabalhar. Ele estudava. Estava no 3º ano”, disse a mãe.

Douglas Rodrigues será velado na Igreja Pentecostal Livro da Vida, na Vila Medeiros. Ele será enterrado no Cemitério Parque dos Pinheiros, no Jaçanã, também na Zona Norte.
  

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