Caio foi preso na madrugada dessa quarta-feira (12), em Feira de Santana, na Bahia. Ele saiu do Rio em direção à cidade de Ipu, no Ceará, mas foi convencido pela namorada a se entregar. Os contatos foram feitos por telefone celular. Segundo o delegado Maurício Luciano, responsável pela investigação da morte de Santiago Andrade, ele tinha dois celulares, vendeu o mais caro para pagar a passagem de ônibus para o Ceará, onde moram os avós paternos. O outro aparelho foi usado para os contatos com a namorada.
O tatuador Fábio Raposo, que estava com Caio no momento em que o rojão foi aceso, também está preso no Complexo de Gericinó, mas em outro local. Desde segunda-feira (10), Fábio Raposo encontra-se na Penitenciária Bandeira Stampa. Segundo a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap) somente a Justiça poderá decidir por quanto tempo eles permanecerão detidos no complexo penitenciário.
O delegado Maurício Luciano disse que recebeu hoje as informações que estavam faltando para formalizar o inquérito. Segundo ele, ainda será colhido o depoimento de uma testemunha antes de o documento ser encaminhado ao Ministério Público. “Foram complementadas quase todas hoje, e foram juntados o exame cadavérico da vítima, o laudo de local e o laudo do artefato explosivo. Está faltando apenas o depoimento de uma testemunha, e esperamos enviar o inquérito na sexta-feira (14) ao Ministério Público, devidamente relatado”, disse em entrevista à Agência Brasil.
Quanto às denúncias do advogado Jonas Tadeu Nunes, que representa os dois suspeitos, sobre o aliciamento de manifestantes para atos violentos nas manifestações, e que em troca recebem R$150, o delegado disse que o advogado vem falando à imprensa, mas deveria se dirigir a uma autoridade policial para dar informações sobre o assunto. “O que o advogado está falando pode ser objeto de alguma investigação. Ele tem falado à imprensa. É preciso que ele vá a uma delegacia e diga o que sabe. Ficar denunciando na imprensa, noticiando, não vai resolver. Tem que ir até a delegacia, trazer os elementos que ele tem para fazer tais afirmações, e aí a gente pode investigar de maneira isenta e cautelosa”, esclareceu.
O delegado informou que o advogado não chegou a conversar com ele sobre o assunto. “Não comentou, e comentários a gente não pode levar em consideração, se não for reduzido a termo, se ele não prestar informações como testemunha”, disse.
Maurício Luciano negou que tenha sido formada uma força-tarefa para apurar a possibilidade de aliciamento de manifestantes. O policial explicou que têm ocorrido várias manifestações, e quando há atos de vandalismo e de desordem, elas geram investigações. “Todas as investigações em que há informações sensíveis, contamos com a colaboração dos órgãos de inteligência necessários a alimentar o banco de dados para fazermos as investigações. Portanto, são investigações feitas a partir de investigações, mas não há formação propriamente de força-tarefa".
Por isso, ele destacou que são diferentes dos inquéritos que apuram a morte do cinegrafista e o aliciamento de manifestantes. “O que ficou claro, e eu reforcei esta ideia, é que nós apuramos no caso Santiago um crime de homicídio. Então o que nós fizemos em cinco dias foi identificar a autoria e apresentar a materialidade do crime. A gente não vai misturar investigações que eventualmente venham apurar financiamento para atos de vandalismo em manifestações. Serão objeto de novos inquéritos para que não haja nenhum tipo de prejuízo à investigação que identificou os autores do homicídio do cinegrafista da Bandeirantes”, explicou.
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Foto: Agência Brasil