O novo diretor-geral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), general Jorge Fraxe, tomou posse nesta sexta-feira, em Brasília, com a promessa de revitalizar a imagem da instituição, desgastada após ser o estopim dos escândalos de irregularidades nos ministérios do governo Dilma Rousseff. A uma plateia de funcionários e chefes de departamentos regionais da autarquia, a quem chamou de "camaradas do Dnit", Fraxe conclamou os servidores a "mudar o rumo da história" e garantir infraestrutura de transporte aos brasileiros.
"Oferecendo infraestrutura de qualidade no setor de transportes a todos os cidadãos que pagam imposto nesse País. Essa é a única maneira que eu entendo e vejo de resgate da nossa imagem e do nosso valor como Dnit: oferecer ao cidadão brasileiro uma infraestrutura de transporte de qualidade em tempo célere. Convido a construirmos um novo futuro e mudar o rumo da história a curto prazo para que sejamos admirados por todos os brasileiros", disse ele.
Ex-diretor de Patrimônio e de Obras de Cooperação do Exército, o novo chefe do Dnit rejeitou a tese de que a presidente Dilma Rousseff tenha militarizado o órgão ao nomear um general em substituição ao então comandante da autarquia, Luiz Antonio Pagot. Disse que não representa nenhuma "casta" por ter alta patente militar e afirmou que o corpo de funcionários da instituição é o maior patrimônio dela, formado por "vontade, fé, caráter, dedicação e competência".
"Não vim de nenhuma casta porque era um general. Sou um brasileiro como é a diretoria todinha aqui, com nossas fortalezas e nossas incertezas. Vim mostrar a todos vós que os brasileiros hoje empossados nessa nova diretoria são como todos aqui presentes, heróis cada um em sua própria história. A presença de um general no Dnit não significa militarizar o Dnit. Se assim fosse assim, a presença de um civil no Ministério da Defesa seria desmilitarizar as Forças Armadas", explicou ele, para voltar em seguida a destacar a importância dos funcionários do Dnit na nova fase da autarquia.
"Esses integrantes são o patrimônio mais valioso da instituição, e o patrimônio que se assenta na vontade, na fé, no caráter, na dedicação e na competência de cada um de nós. Quem faz o Dnit, juntamente com essa nova diretoria empossada, tem a missão de resgatar a imagem e a credibilidade da instituição perante a opinião pública", declarou Fraxe.
Citando a esposa Fátima e o filho Gabriel, resumiu: "permito-me apresentar-me com minha família e faço em respeito e apreço aos quadros do Dnit. Aqui estou com meu coração, minha alma, minha fé, minha vontade como toda a diretoria empossada. Viemos de corpo e alma integrar a família do Dnit".
A crise no Ministério dos Transportes
Uma reportagem da revista Veja do início de julho afirmou que integrantes do Partido da República haviam montado um esquema de superfaturamento de obras e recebimento de propina por meio de empreiteiras dentro do Ministério dos Transportes. O negócio renderia à sigla até 5% do valor dos contratos firmados pelo ministério sob a gestão da Valec (estatal do setor ferroviário) e do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit).
O esquema seria comandado pelo secretário-geral do PR, Valdemar Costa Neto. Mesmo sem cargo na estrutura federal, ele lideraria reuniões com empreiteiros e consultorias que participavam de licitações do governo no ramo.
O PR emitiu nota negando a participação no suposto esquema e prometendo ingressar com uma medida judicial contra a revista. Nascimento, que também negou as denúncias de conivência com as irregularidades, abriu uma sindicância interna no ministério e pediu que a Controladoria-Geral da República (CGU) fizesse uma auditoria nos contratos em questão. Assim, a CGU iniciou "um trabalho de análise aprofundada e específica em todas as licitações, contratos e execução de obras que deram origem às denúncias".
Apesar do apoio inicial da presidente Dilma Rousseff, que lhe garantiu o cargo desde que ele desse explicações, a pressão sobre Nascimento aumentou após novas denúncias: o Ministério Público investigava o crescimento patrimonial de 86.500% em seis anos de um filho do ministro. Diante de mais acusações e da ameaça de instalação de uma CPI, o ministro não resistiu e encaminhou, no dia 6 de julho, seu pedido de demissão à presidente. Em seu lugar, assumiu Paulo Sérgio Passos, que era secretário-executivo da pasta e havia sido ministro interino em 2010.
Além de Nascimento, outros integrantes da pasta foram afastados ou demitidos, entre eles o diretor-geral do Dnit, Luiz Antônio Pagot, o diretor de Infraestrutura Rodoviária do Dnit, Hideraldo Caron - único indicado pelo PT na direção do órgão -, o diretor-executivo do Dnit, José Henrique Sadok de Sá, o diretor-presidente da Valec, José Francisco das Neves, e assessores de Nascimento.
Karla Lyara/Fonte: Terra