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Política

Marina quer atrair movimentos da web

29 outubro 2011 - 17h35 Por Markito

Um ano após conquistar 20 milhões de votos e quatro meses depois de deixar o PV, Marina Silva (sem partido) e os “marineiros”, grupo de verdes dissidentes que acompanharam a ex-senadora, começam as rascunhar o que pode se tornar seu novo partido. A montagem da futura sigla que poderá abrigar sua candidatura à Presidência em 2014, contudo, acontece em meio a contradições inerentes à própria concepção do movimento.

Enquanto acusa os partidos de “vampirizar” movimentos sociais e criticar todo o mecanismo partidário, lideranças do grupo defendem que é necessário entrar na política partidária para, enfim, mudá-la. Para isso, Marina busca o apoio de jovens de diferentes movimentos sociais, engajados politicamente via internet, que rejeitam a política partidária vigente hoje no País. Representantes desse público estiveram presente na última quinta-feira em um debate sobre o que o grupo de Marina chama de “política 2.0”. O evento, ocorrido na zona oeste da capital paulista, contou com a participação da ex-senadora no centro da roda.

“Os partidos na forma como estão não vão se deixar atravessar pelos movimentos. Eles vão querer sempre atravessar os movimentos”, criticou. Ela afirma que é preciso inverter essa lógica, formando partidos e candidatos que serão “servidores dos movimentos”, identificados com as ideias defendidas pelos militantes. “O Estado brasileiro tem dono: os partidos. É preciso um novo pacto político para devolver o Estado brasileiro à sociedade”, disse.

Marina Silva relacionou o “novo pacto” que estaria sendo iniciado pelo movimento liderado por ela – embora a ex-senadora refute o uso da palavra liderança, uma vez que defende a “horizontalidade” – à Revolução Francesa de 1789. “Quem foi que disse que aqueles que anteciparam a Revolução Francesa foram maioria? Nenhuma revolução começa com a maioria”, comparou.

A visão do grupo é de que o mecanismo da representação não funcionaria mais, especialmente com a profissionalização dos partidos, o que também propiciaria e fortaleceria a corrupção.

Camila Bertagnolli/Fonte: Veja 

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