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Política

Bumlai negocia acordo de delação premiada com PF

7 março 2016 - 04h34 Por Agência Brasil

Preso desde novembro, o pecuarista José Carlos Bumlai negocia um acordo de delação premiada com a força-tarefa da Operação Lava Jato, segundo a edição desta segunda-feira (7) do jornal Valor Econômico. Há duas semanas, o amigo do ex-presidente Lula se reuniu com procuradores para discutir sua disposição em colaborar com as investigações, que apuram o esquema de corrupção na Petrobras. Os advogados do empresário, porém, negam categoricamente essa possibilidade.

De acordo com o jornal, na primeira reunião, Bumlai foi informado sobre o funcionamento de uma delação premiada e os detalhes do procedimento - como se deslocar para prestar esclarecimentos sempre que considerado necessário pelos procuradores.

Com a delação, o empresário poderá esclarecer se o ex-presidente Lula tinha conhecimento e deu aprovação à contratação, sem licitação, do Grupo Schahin para operação de navio-sonda da Petrobras. Em troca, Bumlai fez um empréstimo de R$ 12 milhões  no banco e que, conforme já confessou, foi destinado ao financiamento de caixa dois do PT.

Segundo interlocutores, o pecuarista também pode explicar sua suposta intermediação junto a Lula para a contratação da OSX pela Sete Brasil - criada para a construção de 28 sondas fora do balanço da Petrobras. Embora a negociação não tenha dado certo, o lobista Fernando Soares, conhecido como Fernando Baiano, "adiantou, a título de comissão, cerca de 2 milhões de reais a José Carlos Bumlai", segundo o Ministério Público Federal (MPF), cujo destino não está claro.

Além disso, Bumlai pode dar respostas aos investigadores sobre o sítio em Atibaia (SP), que segundo a Lava Jato pertence ao ex-presidente Lula - ele afirma que não é dono do imóvel. O pecuarista é suspeito de ter bancado reformas na propriedade rural com dinheiro oriundo do petrolão.

Família

O filho de Bumlai, Maurício Bumlai - que responde a processos penais na Lava Jato por corrupção e por suposto envolvimento em esquema fraudulento com a Schahin - reapareceu na quinta-feira passada, quando a delação do Delcídio do Amaral veio a público. Segundo o senador, foi o filho de Bumlai quem intermediou o pagamento de 250.000 reais à família do ex-diretor Nestor Cerveró, para que ele não aceitasse fechar acordo de delação premiada. A menção ao filho deixou Bumlai mais preocupado com o avanço da Lava Jato sobre seus familiares.

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