
O número de pessoas travando penosas lutas contra a balança cresce a cada dia no Brasil. Dieta Atkins, da lua, do tipo sanguíneo, da sopa e do chá são apenas alguns dos inúmeros métodos que gordinhos e obesos utilizam na tentativa de eliminar os quilos a mais, tão fáceis de ganhar e, para muitos, quase impossíveis de perder.
Um novo medicamento – indicado para o tratamento da diabetes tipo dois – vem sendo apontado como arma para quem vive essa batalha. Porém, um comunicado da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) alerta para a falta de estudos que comprovem a eficácia da droga como emagrecedor.
Na capa de uma das mais conhecidas revistas do país e em várias outras publicações, a liraglutida (vendida sob nome comercial Victoza) tem sido tratada como fórmula milagrosa, isso porque proporciona perda rápida de peso sem exigir muito esforço do usuário. No entanto, o laboratório dinamarquês Novo Nordisk, responsável pela fabricação da droga, só a indica para o tratamento da diabetes tipo dois.
Como funciona
O funcionamento do remédio acontece da seguinte maneira: no paciente diabético, a insulina produzida pelas células do pâncreas não é suficiente ou não age de modo adequado no organismo, provocando o aumento da quantidade de açúcar no sangue. O medicamento, além de auxiliar o controle glicêmico, proporciona outros benefícios como perda de peso, redução na pressão arterial sistólica e melhora da função das células beta, responsáveis por sintetizar e secretar a insulina.
No organismo, a liraglutida imita uma substância natural que o corpo produz, chamada GLP-1, principal hormônio associado à sensação de saciedade e ao mecanismo de produção de insulina. Contudo, a ação do medicamento é mais intensa do que a produzida pela substância biológica. Isso porque circula no organismo em quantidades em média 8 vezes maiores e seu efeito se estende por 24 horas, contra apenas 3 minutos do natural.
De acordo com a nutricionista Tatiane Attílio, especialista em Nutrição Clínica e em Obesidade e Emagrecimento, além do aumento da sensação de saciedade, é justamente pelo efeito causado sobre a produção da insulina que a droga auxilia na perda de peso. “Quando o medicamento controla a produção de insulina, ele controla a capacidade do organismo armazenar gorduras. Quanto menor a quantidade de insulina liberada no organismo menor a capacidade de armazenar gordura e maior facilidade para queimar a gordura estocada como fonte de energia”, explica.
A nutricionista alerta que, embora apresente poucos efeitos colaterais se comparado com os demais emagrecedores, o medicamento tem contra-indicações. “A preocupação é que, quando o paciente parar de tomar o remédio, sua produção de insulina seja afetada. A descontinuidade do uso pode trazer problemas como hiperglicemia ou hipoglicemia de rebote, resistência periférica à insulina e até diabetes tipo dois”.
Contra-indicações
Na última segunda-feira (5) a Anvisa publicou em seu site um comunicado sobre o risco do uso inadequado da liraglutida. Nele, a agência declara que “a única indicação aprovada atualmente para o medicamento é como agente antidiabético. Não há, até o momento, nenhuma solicitação por parte da empresa detentora do registro de extensão da indicação do produto para qualquer outra finalidade. Não foram apresentados estudos que comprovem qualquer grau de eficácia ou segurança do uso do produto Victoza para redução de peso e tratamento da obesidade”.
No comunicado, a Anvisa ainda salienta que “não reconhece a indicação do Victoza para qualquer utilização terapêutica diferente da aprovada e afirma que o uso do produto para qualquer outra finalidade que não seja como anti-diabético caracteriza elevado risco sanitário para a saúde da população”.
Tatiana Attílio ressalta que a reeducação alimentar aliada à pratica de exercícios físicos ainda é a maneira mais saudável e definitiva de perder peso. “Todo emagrecimento em que a pessoa não aprende a comer e perde músculos ao invés de gordura é temporário, ilusório e envelhecedor”, completa.
Dieta “salgada”
A liraglutida é um medicamento de uso injetável, e seu preço também deve ser levado em conta, pois o tratamento não sai barato para o paciente. No mercado há apenas um laboratório que fabrica a droga, portanto não existem genéricos ou similares á disposição dos usuários.
Nas farmácias de Campo Grande, cada caixa do medicamento custa cerca de R$ 390, e contém apenas duas seringas com 3ml da substância em cada uma. O tempo de duração da unidade varia de acordo com a dosagem prescrita pelo médico a cada paciente.
Camila Bertagnolli
Leia Também
Detran de Mato Grosso do Sul passa a oferecer opção de CNH exclusivamente digital
Equipamentos e 522 viaturas:
Projeto de IA do Detran-MS
137d18b717e30b2c1edce03332801b73cd5567d77b645ec573fb9b7817d8edecvacina