Dados da Sociedade Brasileira de Nefrologia indicam que 1,6% da população com até 18 anos sofrem com doença renal crônica no país
A insuficiência renal em crianças e adolescentes é uma condição grave que pode afetar o desenvolvimento físico, intelectual, emocional e social. Apesar disso, na maioria dos casos o principal problema enfrentado pelos pacientes é o diagnóstico tardio. De acordo com o Censo Brasileiro de Diálise de 2010 da Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN), estima-se que 1,6% da população na faixa etária entre 0 e 18 anos tenham doença renal crônica dialítica.
A demora no início do tratamento ocorre principalmente porque a doença pode ser silenciosa e não apresentar sintomas específicos nas fases iniciais. Essa situação dificulta o diagnóstico precoce, apesar do risco que representa para as crianças. "Se não for tratada imediatamente, a insuficiência renal pode aumentar as chances de a criança desenvolver doenças associadas, especialmente as de coração, causa de mortalidade mais comum entre pacientes renais pediátricos", afirma a nefropediatra Vera Koch, coordenadora do Departamento de Nefrologia Pediátrica da SBN.
A incidência de doenças raras, que afetam 5% da população brasileira, também preocupa os nefropediatras. Tanto que será um dos destaques do IX Congresso Latino-americano de Nefrologia Pediátrica que irá reunir em São Paulo, de 25 a 29 de outubro, mais de 500 especialistas nacionais e estrangeiros para discutir os mais recentes avanços da área. Segundo a doutora Koch, presidente do congresso que acontece pela primeira vez no Brasil, o objetivo é sugerir a criação de um Comitê de Referência para Doenças Raras e de uma rede equipada para o diagnóstico e o acompanhamento multidisciplinar dos pacientes e seus familiares.
As principais causas de insuficiência renal crônica na infância são as malformações ou obstruções das vias urinárias (dificuldade na drenagem da urina), as nefrites (doenças inflamatórias que acometem os rins), as doenças que cursam com cistos renais (rins policísticos), rins malformados e as doenças renais hereditárias (herdadas da família).
A criança com doença renal crônica pode apresentar déficit de crescimento, anemia, cabelos mais finos e quebradiços, desânimo, falta de apetite, limitações para brincadeiras e distúrbios de minerais no sangue, entre outros problemas. "Se não for tratada adequadamente, a doença renal infantil pode causar até mesmo deformidades ósseas irreversíveis", afirma a nefropediatra.
O tratamento da insuficiência renal progrediu bastante nos últimos anos. "Com o diagnóstico precoce, principalmente por causa da ecografia fetal, conseguimos retardar a perda da função renal", explica a doutora Koch, destacando que a qualidade das técnicas dialíticas também melhorou muito. Além disso, diz ela, crianças e adolescentes ficam no topo da fila de transplantes para receber órgãos de doadores da mesma faixa etária.
Apesar dos avanços, a área ainda enfrenta alguns problemas em todo o país. Não existe uma política nacional de atenção e nem de prevenção à doença renal crônica na infância. São poucos os centros especializados no tratamento de crianças e adolescentes e o valor pago pelos procedimentos de hemodiálise e diálise peritoneal é inadequado. Na rede pública, o atendimento é realizado nas Ames e nos centros de atenção terciária.
Serviço:
IX Congresso Latino-americano de Nefrologia Pediátrica
Data: 25 a 29 de outubro
Local: Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (atividades pré-congresso) - Av. Dr. Arnaldo, 455 - Cerqueira César - SP e Centro de Convenções Espaço APAS - Rua Pio XI, 1.200 - Alto da Lapa - SP
Informações: (11) 3021-0508 e (11) 3854-6101
Ceyd Moreles/Fonte: Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN)
Leia Também
Detran de Mato Grosso do Sul passa a oferecer opção de CNH exclusivamente digital
Equipamentos e 522 viaturas:
Projeto de IA do Detran-MS