No dia 17 de outubro o país comemora o Dia Nacional da Vacinação. Na imunização infantil a preocupação dos pais é grande, cuidado que não acontece na maioria das vezes o com os adultos.
“Para ser bem sincera, me lembro das vacinas apenas quando são realizadas campanhas. Minha vacinação está em dia, mas se preciso reforçar alguma dose ou tomar alguma novamente, acabo não procurando por livre e espontânea vontade”, revela a microempresária Flávia Maria Pereira da Silva, de 28 anos, que como muitos outros adultos brasileiros, acaba contando com as campanhas para manter a imunização atualizada.
Especialistas alertam que a vacinação não é importante apenas na infância. Na idade adulta, muitas doenças sérias podem ser evitadas por aquele que mantiver a imunização em dia. “A vacina cria anticorpos no organismo, para que se houver contato com o agente transmissor da doença, a pessoa não seja infectada”, explica a médica infectologista Haydee do Prado.
As vacinas disponíveis podem prevenir doenças causadas por bactérias ou por vírus. No primeiro caso a vacinação é feita para controlar surtos epidemiológicos, e no segundo a imunização normalmente dura a vida toda, sendo necessárias apenas algumas doses de reforço para garantir que a doença não volte.
“No caso do tétano, por exemplo, não conseguimos erradicar o agente transmissor do ambiente, por isso a vacinação é a única maneira que o indivíduo tem de prevenir a infecção. O mesmo acontece no caso da Hepatite B, que é uma doença sexualmente transmissível. Como muitos brasileiros ainda mantêm relações sexuais sem preservativo, a vacina é uma aliada para evitar a doença”, afirma Haydee.
A médica ainda fala dos chamados grupos de risco, compostos por pessoas com mais de 60 anos ou portadoras de doenças crônicas. “Esses pacientes que têm a imunidade mais baixa, são mais propensos a infecções, por isso a imunização é tão importante. Vacinar um idoso contra a gripe, por exemplo, vai livrá-lo de uma doença que poderia evoluir para algo mais sério, como uma pneumonia”.
Seis vacinas para a idade adulta
Para os adultos que pretendem ficar em dia com o calendário de imunização, o MSREPÓRTER destaca a importância de seis das vacinas disponíveis:
Vacina dupla tipo adulto (para difteria e tétano): A difteria é causada por uma bactéria, que é contraída pelo contato com secreções de pessoas infectadas. Ela afeta o sistema respiratório, causa febres e dores de cabeça, em casos graves, pode evoluir para uma inflamação no coração. Já a toxina da bactéria causadora do tétano compromete os músculos e leva a espasmos involuntários. Se a doença não for tratada precocemente, pode haver uma parada respiratória devido ao comprometimento do diafragma, músculo responsável por boa parte da respiração, levando a morte.
Vacina tríplice-viral (para sarampo, caxumba e rubéola): Causado por um vírus, o sarampo é caracterizado por manchas vermelhas no corpo. A transmissão ocorre por via respiratória, assim como a caxumba, conhecida por deixar o pescoço inchado. Mesmo que seja mais comum em crianças, a caxumba apresenta casos mais graves em adultos, podendo causar meningite, encefalite, surdez, inflamação nos testículos ou dos ovários, e mais raramente no pâncreas. Já a rubéola é caracterizada pelo aumento dos gânglios do pescoço e por manchas avermelhadas na pele, é mais perigosa para gestantes. O vírus pode levar à síndrome da rubéola congênita, que prejudica a formação do bebê nos três primeiros meses de gravidez.
Vacina contra a hepatite B: A doença é transmitida pelo sangue, e em geral não apresenta sintomas. Alguns pacientes se curam naturalmente sem mesmo perceber que tem a doença. Em outros, a doença pode se tornar crônica, levando a lesões do fígado que podem evoluir para a cirrose.
Pneumo 23 (para pneumonia): O pneumococo, bactéria que pode causar a pneumonia, entre outras doenças, pode atacar pessoas de todas as idades, principalmente indivíduos com mais de 60 anos.
Vacina contra a febre amarela: A febre amarela é transmitida pelo mesmo mosquito transmissor da dengue, o Aedes Aegypti. A doença tem como principais sintomas febre, dor de cabeça, calafrios, náuseas, vômito, dores no corpo, icterícia (pele e olhos amarelados) e hemorragias. Se não for tratada, pode levar a morte.
Vacina contra o vírus influenza (gripe): A gripe é transmitida por via respiratória, leva a dores musculares e a febres altas. Seu ciclo costuma ser de uma semana. Pessoas com mais de 60 anos podem tomar a vacina nos postos de saúde, enquanto os mais jovens podem ser vacinados em clínicas particulares.
Camila Bertagnolli
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