Um projeto que testou medidas simples e baratas para atender pessoas com infarto em hospitais do SUS aumentou o uso de tratamentos corretos e reduziu em 20% as mortes pela doença.
O programa Bridge (Brazilian Intervention to Increase Evidence Usage in Practice), desenvolvido pelo HCor (Hospital do Coração) em parceria com o Instituto Brasileiro de Pesquisa Clínica, definiu e testou maneiras de aumentar o seguimento, por parte de médicos e enfermeiros, das recomendações de tratamento para o infarto.
Os resultados do projeto foram apresentados em março na sessão principal do congresso do American College of Cardiology, em Chicago, nos EUA. No mesmo dia, a pesquisa foi publicada no "Journal of the American Medical Association".
O objetivo era fazer com que a equipe médica prescrevesse todos os remédios que devem ser dados nas primeiras 24 horas após o infarto.
HIATO
"Em um mundo perfeito, todo paciente que chega com infarto no hospital deve receber uma série de remédios, como aspirina e anticoagulantes. Mas há hiatos entre a diretriz e a prática", afirma Otávio Berwanger, diretor do projeto e do Instituto de Pesquisas do HCor.
Segundo ele, a taxa de pacientes que recebem todas as terapias necessárias era de 49% nos hospitais observados. Com o projeto, essa fatia aumentou para 67,9%.
"Não é que os médicos não conheçam as diretrizes ou sejam mal-intencionados. Também não é por falta de medicamentos. Mas a emergência pode estar lotada e isso torna muito fácil deixar passar algum procedimento."
A equipe do projeto acompanhou 34 hospitais do SUS e 1.150 pacientes (com média de 62 anos) por oito meses.
Os hospitais foram divididos em dois grupos: 17 foram só observados, para ver como tratavam a doença e, nos outros 17, houve treinamento para usar o programa.
Karla Lyara/Fonte:Folha
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