A rede privada de serviços de saúde está praticamente sem doses de vacinas contra a influenza A (H1N1) - gripe suína, desde a semana passada. Os estoques ou já acabaram ou estão prestes a terminar, devido ao aumento da procura no mês de junho. A informação do mercado "é de que não há mais vacinas disponíveis para compra no país", disse à Agência Brasil o diretor do laboratório Frischmann Aisengart, Milton Zymberg. "Ainda existem estoques em alguns estados, mas o montante é insuficiente para atender à demanda que temos", completou.
Com duas unidades de vacinação em Curitiba, o laboratório, que no começo do ano comercializava em média cerca de 50 doses diárias, chegou a vender 1,3 mil vacinas em um único dia. Os estoques do produto acabaram no início do mês e novos lotes só devem chegar em 2013. De janeiro a julho do ano passado, o laboratório vendeu 12,5 mil doses. Apenas no primeiro semestre deste ano, foram 23,4 mil. "O aumento ocorreu basicamente em junho, quando a imprensa começou a noticiar os casos de gripe", disse Zymberg.
O Hospital Pequeno Príncipe, também em Curitiba, informou, por meio da assessoria, que "talvez" a instituição venha a receber um novo lote na próxima semana, mas não soube precisar a quantidade de vacinas. De acordo com o hospital, as vacinas são importadas e o seu processo de fabricação demora até quatro meses. A falta de vacinas na rede privada teria ocorrido em razão de o mercado ter se planejado a atender uma demanda parecida com a de 2011, quando o número de mortes por influenza A (H1N1) - gripe suína foi bem menor que o verificado este ano.
Na última quinta-feira (5), a Promotoria de Defesa do Consumidor abriu uma investigação para apurar uma denúncia de cobrança abusiva pela vacina em uma clínica particular de Curitiba. Em razão da falta do produto no mercado, a clínica, de acordo com a denúncia, comercializou a vacina por R$ 200, valor bem superior à média do preço cobrado pelo medicamento na cidade, que girava entre R$ 60 e R$ 80.
O Ministério Público ainda aguarda a apresentação das notas fiscais de compra e venda de vacinas por parte do estabelecimento. Já a Coordenação Estadual de Proteção e Defesa do Consumidor do Paraná (Procon-PR) registrou apenas duas reclamações sobre o preço onerado da vacina. Os três estados da Região Sul registram este ano 84 mortes provocadas pela gripe.
Em Santa Catarina, são 600 casos registrados e 47 mortes. No Paraná, 588 casos e 14 mortes. E no Rio Grande do Sul, 145 casos e 23 mortes. Nos últimos meses, o Sistema Único de Saúde (SUS) vacinou gratuitamente as pessoas com maior vulnerabilidade para desenvolver a forma mais grave da doença: idosos a partir dos 60 anos, crianças entre 6 meses e menores de 2 anos, gestantes, trabalhadores de saúde e portadores de doenças crônicas.
O ministério autorizou o envio de 1,4 milhão de doses extras da vacina para complementar o estoque dos três estados da Região Sul.
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