Menu
Busca quarta, 05 de agosto de 2026
Saúde

Venda de calmantes sobe 42% nos últimos cinco anos no Brasil

27 fevereiro 2014 - 16h30 Por Mayara Medeiros / Folha

A venda de tranquilizantes da classe dos benzoadiazepínicos (como Rivotril, Valium e Lexotan) aumenta a cada ano no Brasil, na contramão do que acontece em países europeus, como Inglaterra e Alemanha, onde o comércio caiu cerca de 30% na última década, segundo estudos. Entre 2009 a 2013, o número de caixinhas vendidas desses psicotrópicos saltou de 12 milhões para 17 milhões, um aumento de 42%, segundo levantamento da consultoria IMS Health, feito a pedido da Folha.

Esses remédios causam dependência e efeitos colaterais sérios, como falhas de memória e sonolência. Na Inglaterra, clínicos gerais estão sendo treinados para "desmamar" pacientes dependentes, diminuindo gradualmente as doses até os livrar do vício.

Os psiquiatras dizem que no Brasil grande parte do uso é feito sem supervisão e em quantidades e prazos muito além dos recomendados. "O uso deveria ser temporário, por dois ou três meses, mas há pessoas tomando por anos. É uma situação muito mais grave do que se pensa", diz Antônio Geraldo da Silva, presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria.

Ele afirma que a associação fará neste ano campanhas públicas nas mídias sociais alertando a população sobre o perigo do uso prolongado dos remédios. Segundo Silva, a falta de um sistema de controle adequado sobre as vendas de psicotrópicos e a prescrição indiscriminada por médicos de outras áreas são alguns dos fatores que explicariam o aumento do consumo.

"Os psiquiatras prescrevem muito menos do que os outros profissionais. Há também muita automedicação. Qualquer pessoa pode fazer um carimbo e um receituário falsos. Não tem controle."

O psiquiatra Ronaldo Laranjeira, professor da Unifesp, diz que nos países desenvolvidos existe uma preocupação dos médicos de prescrever cada vez menos esses tranquilizantes porque não há evidência de que sejam benéficos a longo prazo.

 Muito do uso indevido no país ocorre entre pessoas que têm dificuldades para dormir, segundo Laranjeira. "Ficam conectadas 20 horas por dia e preferem recorrer à farmacologia, em vez de mudar o estilo de vida."

Embora não haja estudos sobre o perfil de usuários dos benzoadiazepínicos, a percepção de Maria Inês Vasconcelos, advogada trabalhista e autora do livro "Síndrome do Pânico e Trabalho", é de que o uso tenha se "alastrado entre os executivos".

Leia Também

Detran de Mato Grosso do Sul passa a oferecer opção de CNH exclusivamente digital
Detran de Mato Grosso do Sul passa a oferecer opção de CNH exclusivamente digital
Equipamentos e 522 viaturas:
Equipamentos e 522 viaturas:
Projeto de IA do Detran-MS
Projeto de IA do Detran-MS
Detran-MS alerta sobre golpe:
Detran-MS alerta sobre golpe: